40% dos bancários sofrem assédio moral

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É o que demonstra pesquisa nacional lançada nesta quarta no Sindicato

Cerca de 40% dos bancários admitem que já sofreram assédio moral no trabalho. Os males desses constrangimentos refletem-se na saúde física ou mental de 60,72% dos trabalhadores, que se dizem nervosos, tensos ou preocupados e sofrem com o cansaço, a depressão, insônia e dores de cabeça.

“Essa pesquisa é mais uma iniciativa inédita dos bancários, que sinaliza um campo de luta muito importante para a categoria”, disse o presidente do Sindicato, Jacy Afonso, ao saudar o trabalho. “E demonstra que os sindicatos precisam combinar a ação de organização e mobilização dentro das empresas com a realização de estudos científicos que dão sustentação à luta dos trabalhadores.”     

Participaram ainda da apresentação da pesquisa a diretora do Sindicato, Mirian Fochi; a secretária-geral do Sindicato de Pernambuco, Suzineide Rodrigues; o secretário de saúde da Contraf-CUT, Plínio Pavão; a ex-coordenadora do FIG no Brasil, Neuza Zimmermam; a psicóloga social Andréa da Hora, assessora técnica da pesquisa; e Laurez Cerqueira, assessor do deputado federal Mauro Passos (PT), autor de um projeto de lei sobre assédio moral que tramita no Congresso Nacional.    

Excesso de trabalho, o principal fator

Segundo a pesquisa, apenas 5,2% dos bancários que sofreram assédio moral disseram ter falado sobre o assunto com alguém. A maioria (34,65%) busca apoio na família, enquanto 14,83% falam com amigos, 10,89% comentam com um colega de banco e somente 6,52% procuram o sindicato. 

Entre os fatores que podem resultar no assédio moral, o principal apontado pelos bancários foi o excesso de trabalho, reclamado por 19,66%. Um total de 12,73% afirma que o chefe prejudica a sua saúde. A chefia dá instruções confusas e imprecisas para 10,35% e, para 9,51%, os gestores pedem trabalhos urgentes sem nenhuma necessidade. 

As formas de assédio moral sofrida pelos bancários mais relatadas na pesquisa foram: chefe não lhe cumprimenta e nem fala mais com o subordinado; chefe atribui erros imaginários; chefe bloqueia o andamento dos trabalhos; manda cartas de advertência protocoladas; impõe horários injustificados; o chefe ignora a presença do bancário na frente dos outros; fala mal do funcionário em público; manda executar tarefas sem interesse; circula maldades e calúnias; transferência de setor para isolar o bancário; proíbe os colegas de falar ou almoçar com o empregado e até força o trabalhador a pedir demissão. 
 
Mas o que favorece esta situação? Para 70,97% dos entrevistados, falta pessoal no banco. O que causa sobrecarga excessiva de trabalho, apontado por 54,66%. Que gera um novo problema: a extrapolação da jornada (27,36%). Outra questão apontada é competição entre as pessoas (34,09%). 
 
Para 35%, o chefe decide sem consultar os subordinados. A falta de comunicação é outro problema. Mais da metade (52,89%) diz que existem boatos que geram insegurança e 66,84% afirmam que há pessoas que não passam informações. 

O Sindicato vem desenvolvendo uma série de atividades na última semana para denunciar as agressões morais no trabalho, inclusive com a distribuição da cartilha Assédio Moral é Ilegal e Imoral. “Essa é uma luta que vamos travar com todas as nossas forças”, disse a diretora Mirian Fochi, lembrando que o Sindicato de Brasília foi o primeiro do país a incluir uma cláusula sobre assédio moral em acordo coletivo de trabalho, 2002, na convenção dos bancários do BRB.