Aquecimento global: emissão de gases precisa ser reduzida em 70%, alerta cientista

0
Embora tenha ganhado destaque nos últimos meses nas páginas de jornais de todo o mundo e entrado definitivamente na pauta da comunidade científica, a preocupação com o aquecimento global não data de hoje. O tema foi objeto de discussão na última edição do Brasília Debate, na terça-feira 14.

Embora tenha ganhado destaque nos últimos meses nas páginas de jornais de todo o mundo e entrado definitivamente na pauta da comunidade científica, a preocupação com o aquecimento global não data de hoje. As décadas de 1970 e 1980 marcaram as discussões, em escala mundial, de problemas ambientais. Nesse período, aconteceram algumas das mais importantes reuniões internacionais voltadas para o meio ambiente, como a Primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente Humano (1972), a Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental (1977) e a Primeira Conferência sobre Meio Ambiente da Câmara do Comércio Internacional (1984).

Neste ano, porém, acendeu-se o sinal vermelho. O tema voltou a ganhar fôlego diante da divulgação dos relatórios do Painel Intergovenamental para Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, que traçam um cenário sombrio sobre o futuro da humanidade, ameaçado pelas catástrofes iminentes oriundas do aquecimento da Terra caso as autoridades não tomem providências para barrar o fenômeno que tem como principal causa a ação do homem. Os textos do IPCC são assinados por mais de 40 cientistas, dentre eles cinco brasileiros.

“Mas não há motivos para preocupação”, garantiu Carlos Nobre, um dos maiores especialistas no país na área de mudanças ambientais e um dos cinco cientistas brasileiros que fazem parte do Painel, durante a edição do Brasília Debate desta terça-feira, que contou ainda com a participação da coordenadora-geral de Meteorologia, Climatologia e Hidrologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, Darly Henriques da Silva, e do presidente nacional da CUT, Arthur Henrique.

Didático, o pesquisador justificou a ponderação, afirmando que, apesar de irreversível, o quadro pode ser alterado se diminuída a injeção de gases causadores do aumento da temperatura, como o metano e, principalmente, o gás carbônico. “Nos últimos anos, a temperatura aumentou 0,75 graus centígrados. Parece pouco, mas não é, ainda mais se levado em conta que 71% do planeta são água”.

De acordo com ele, o que deve ser motivo de preocupação é o fato de que os países não dispõem de uma tecnologia nem de conhecimento cientifico para resolver o problema, uma vez que uma grande quantidade de gases já foi lançada na atmosfera, gases que são difíceis de serem retirados.

“Pelo atual estágio do aquecimento da Terra, era preciso ter parado a emissão de gases causadores do aumento da temperatura logo após a Segunda Guerra Mundial”, explicou Nobre, acrescentando que a humanidade encontra-se agora diante de um dilema ético, que é o de assumir o compromisso com as gerações futuras, agindo para evitar que a temperatura atinja patamares ainda maiores.

Caso isso não aconteça, explicou, até o ano de 2100 a temperatura da Terra poderá subir até 5º C, com impactos naturais e sociais incalculáveis.

Impactos no Brasil e medidas de contensão

No Brasil, os impactos do aquecimento global já são visíveis, provocando alterações na produção agrícola, nos recursos hídricos e na saúde da população. E isso tende a piorar. “Na agricultura, porque grãos não crescem sob temperaturas elevadas; no caso da saúde das populações, aumentarão os casos de doenças transmitidas por vetores; e em relação aos recursos hídricos, em função da alteração no regime de chuvas”, argumentou Nobre.

Para Nobre, duas medidas podem evitar o colapso da humanidade. A primeira, obviamente, consiste em reduzir as emissões globais de gases estufa em 70%. A segunda, em desenvolver programas com o objetivo de educar a sociedade para as mudanças que inevitavelmente virão, vivendo no mundo de modo mais sustentável, apesar das alterações climáticas.