O risco de volta das políticas neoliberais, que reduzem o papel do Estado e privatizam o patrimônio público; a necessidade e a possibilidade, no Distrito Federal, de desmontar um modelo de gestão baseado no desvio de recursos públicos, nefasto para a população; os altos lucros dos bancos com base na exploração dos clientes, usuários e na deterioração das condições de trabalho e salário, e o papel dos bancos públicos para o desenvolvimento socioeconômico. Estes foram temas debatidos conjuntamente no sábado (15) pela manhã, na LBV, pelos participantes dos Congressos Distritais dos bancários do BB e da Caixa, dando largada à Campanha Salarial 2010. Além dessa discussão, os participantes definiram à tarde, em trabalhos separados por banco, a sugestão de pauta de reivindicações específicas. Elegeram também os delegados que representarão Brasília nos congressos nacionais que serao realizados no final do mês.
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Os participantes dos congressos distritais dos funcionários do BB e da Caixa fizeram a análise das conjunturas econômicas e políticas nas quais acontecerá a Campanha Salarial de 2010. Os encontros foram realizados no sábado (15) na LBV.
Os debates sobre conjuntura foram realizados na plenária de abertura que reuniu os participantes dos dois congressos. A mesa responsável por dar início aos trabalhos foi comandada por Jair Pedro Ferreira e Eduardo Araújo, diretores do Sindicato e coordenadores das Comissões de Empresa dos empregados da Caixa (CEE/Caixa) e do BB. Os trabalhos se iniciaram por volta das 11h, com a aprovação do Regimento do Encontro. O debate da conjuntura política foi iniciado pela avaliação da deputada distrital e bancária Érika Kokay, enquanto o debate econômico foi baseado em apresentação do técnico do Dieese, Pedro Tupinambá.
Antes do início dos trabalhos, o deputado federal e bancário Geraldo Magela, convidado a saudar os congressistas bancários, abordou a conjuntura política. “Neste ano eleitoral, é preciso que a categoria reflita sobre o que é melhor para nós, enquanto trabalhadores. Muitos dos problemas enfrentados pelos bancários da Caixa e do BB tiveram origem no governo FHC, frutos do modelo de gestão imposto aos bancos naquele período. Vários vícios da iniciativa privada foram transportados para os bancos públicos. O movimento sindical sempre foi contra esta prática, lutando pela defesa dos bancos públicos, que desempenharam um papel fundamental durante a crise financeira, exatamente por terem permanecidos públicos”, argumentou o deputado federal, Geraldo Magela.
Em sua avaliação da conjuntura política local, Érika Kokay mostrou os reflexos das crises geradas pela operação Caixa de Pandora, que vem desmontando um esquema de arrecadação e distribuição de propinas e que chegou a levar o governador Arruda à prisão. Os desdobramentos das investigações colocam a possibilidade de desmontar um modelo de gestão do qual Brasília tem sido vítima há um longo tempo, desde o final dos anos 1990, e que trouxe vários impactos desfavoráveis para a população em geral e especialmente para os trabalhadores. “Várias mazelas que afetam a nossa cidade, como a ocupação desordenada do território urbano, a precariedade dos serviços públicos e a ausência de políticas sociais são fruto dessa visão distorcida implementada no GDF não é de agora, mas comprovadamente desde a época do governo Roriz”, afirma Érika.
Como ex-presidente do Sindicato, procurou lembrar também aos congressistas como surgiram na década de 1990 os altos investimentos dos bancos em tecnologia que levaram os próprios clientes a executarem os próprios serviços bancários, pagando tarifas por isso, substituindo e a mão de obra bancária e deteriorando as condições de trabalho e de atendimento.
Lucros astronômicos X condições de trabalho
No campo econômico, os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) confirmam aumento do lucro liquido dos bancos no 1º trimestre de 2010, em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, as estatísticas também confirmaram que os altos resultados não se refletiram em mais empregos e melhores condições de trabalho.
”A gente observa o aumento de terceirizados no lugar dos bancários, que são contratados com um salário menor. Além disso, 36% dos assalariados trabalham acima da jornada legal de 6 horas”, comentou Eduardo Araújo, coordenador da Comissão de Empresa dos funcionários do BB e diretor do Sindicato.
Nos destaques sobre os acordos coletivos foi observada uma melhora na distribuição dos reajustes salariais. Em 2009, 79,9 % dos acordos coletivos tiveram ganhos acima da inflação. No setor de serviços, no qual os bancários participam, foram 70,4% de acordos favoráveis. “Neste ano de eleições gerais, os bancários não podem esmorecer na luta. Pelo contrário, temos que pressionar ainda mais para garantia de melhoras para a categoria, mesmo porque os bancos estão com os lucros a todo vapor”, afirmou Miran Fochi, diretora do Sindicato e da Contraf-CUT.
A crise mundial trouxe reflexos para o Brasil, que foram contornados com o auxílio dos bancos públicos e a política de valorização do salário mínimo. Mesmo com menor crescimento do PIB em 2009, o país ainda conseguiu a geração de 1 milhão de postos de trabalho. Essa situação, conforme Tupinambá, ocorreu porque a população continuou consumindo e os bancos públicos aumentaram a oferta de crédito. Esse ciclo garantiu estímulo à economia.
No período da tarde os congressos prosseguiram, mas separados por bancos, para definir a sugestão de pauta específica que será levada aos congressos nacionais de cada um dos bancos públicos que ocorrerão em São Paulo no final do mês. Também foram eleitos os delegados que representarão Brasília nesses congressos.
Saiba o que foi discutido nos congressos distritais



























































































































































