Crise encolhe bancos pequenos e médios

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Instituições de menor porte perderam espaço e tiveram lucros mais apertados no primeiro semestre, aponta estudo
Ativos totais dos maiores tiveram crescimento de 21,5% nos 12 meses até junho, mas os dos médios e pequenos encolheram 1,7%

 
Folha de S. Paulo – Fabrício Vieira

A crise mostrou sua face nos balanços do setor bancário recém-divulgados. E os bancos de menor porte foram os que sentiram mais fortemente os efeitos nocivos da deterioração econômica. No primeiro semestre, as instituições de menor tamanho mostraram, na média, evolução pior de seus números do que as de grande porte. Em vários tópicos -crédito, lucro, depósitos, ativos- seus resultados foram piores.O reflexo desse movimento tende a ser uma maior concentração bancária -ou seja, os bancos maiores dominando uma parcela mais expressiva do sistema financeiro.Um exemplo são os ativos totais. Enquanto os maiores registraram crescimento médio de 21,5% nos 12 meses encerrados em junho, os médios e pequenos encolheram 1,7%."Algumas instituições menores chegaram a ter pequenos problemas de insolvência, mas isso acabou resolvido após medidas tomadas pelo governo", afirma Luis Miguel Santacreu, analista financeiro da consultoria Austin Rating. "E, dentre os menores, há casos diferentes. Os que dependiam mais de oferta de crédito à pessoa jurídica foram os que mais sentiram a crise. Outros que tinham uma base forte no consignado e mesmo em veículos, saíram-se melhor", afirma.O estudo feito pela Austin Rating a pedido da Folha considerou instituições que já apresentaram seus balanços. Entraram no levantamento 7 dos maiores bancos do país e outros 19 de menor porte.A evolução das carteiras de crédito ilustra bem o impacto da crise nas instituições financeiras. Para os bancos maiores, a carteira total de crédito se expandiu em 24,1% em 12 meses. No caso dos menores, houve recuo de 3,3% no período."Nesses períodos de crise, é quase inevitável o aumento da concentração no sistema bancário. Os bancos menores, que não têm exposição no segmento de varejo, com uma ampla carteira de clientes, acabam sendo os que mais sentem a crise e encolhem mesmo nesses momentos", avalia Luiz Antonio Vaz das Neves, analista da KNA Consultores.Lucro menor
Um bom exemplo do que ocorreu no segmento é o BicBanco. A instituição viu seu lucro recuar 20,5% entre o primeiro semestre de 2008 e o mesmo período de 2009 -caiu de R$ 197 milhões para R$ 156 milhões. As pessoas físicas, que ajudaram os grandes bancos a manter o ritmo de concessão de crédito, representam apenas 5,6% da carteira de crédito do BicBanco.
No Banco do Brasil, que voltou a ser a maior instituição financeira do país após os últimos balanços conhecidos, o crédito concedido à pessoa física cresceu 8,5% entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. Para a pessoa jurídica, a expansão foi de apenas 1,9% nesse período.Há também o caso de bancos menores, como o BMG, que se saíram melhor que seus pares. Focada no empréstimo consignado (que tem baixo risco e manteve a demanda aquecida em meio à crise), a instituição financeira teve resultado crescente nos últimos meses. O lucro do banco cresceu 16,3% no primeiro semestre sobre o mesmo período de 2008, alcançando R$ 175,7 milhões."O retrato mais feio do sistema financeiro é esse que vimos no fim do primeiro semestre. Daqui para a frente, a tendência é de a expansão do crédito retomar ritmo e o provisionamento [dinheiro reservado para calotes] diminuir", avalia Santacreu.