Só no Brasil 3 das 4 maiores empresas são bancos

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Carlos Drummond

 

A última reunião do Copom manteve o Brasil com o título mundial dos juros mais altos no mundo, apesar da retórica do presidente Lula pela queda das taxas, pelo menos nos bancos públicos.

Os bancos estão mesmo entre as organizações mais poderosas do mundo, mas em nenhum outro país atingiram a posição ocupada no Brasil, a julgar pelo tradicional levantamento da revista Fortune, o Global 500, edição de 2006. A lista inclui as quinhentas maiores empresas do mundo, segundo o critério de receita anual. Elas estão distribuídas entre 31 países.

Apenas 14 deles têm quatro empresas no ranking, como o Brasil e a Bélgica. Em 12 países há mais do que quatro empresas na lista das 500 maiores do mundo: Inglaterra, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, México, Rússia, Coréia, Estados Unidos e Bélgica.

É neste rol dos 14 países com pelo menos quatro empresas entre as 500 maiores do mundo que o Brasil se destaca. Não existe nenhum outro em que os bancos tenham a mesma proporção em relação às empresas não bancárias, de acordo com o critério da receita anual. As empresas brasileiras na lista do Global 500 são a Petrobrás e três bancos: Bradesco, Banco do Brasil e Itaúsa, a holding do banco Itaú.

O quadro proporcionado pelo levantamento da Fortune deveria ser objeto de reflexão no país que, inexplicavelmente, tem a maior taxa de juros do mundo.

A lista abaixo relaciona os países com pelo menos quatro empresas no Global 500:

 

Brasil – Petrobrás, Bradesco, Banco do Brasil, Itaúsa.

Inglaterra – BP (petróleo), HSBC Holdings, Aviva (seguros), HBOS (banco).

Canadá – Manulife Financial (seguros), George Weston (alimentos e comércio), Royal Bank of Canada, Magna International (veículos e autopeças).

China – Sinopec (petróleo), State Grid (energia), China National Petroleum, Industrial & Commercial Bank of China.

França – Total (petróleo), AXA (seguros), Crédit Agricole (banco), Carrefour.

Alemanha – DaimlerChrysler (veículos), Allianz (seguros), Volkswagen, Siemens.

Índia – Indian Oil, Reliance Industries (petróleo), Bharat Petroleum, Hindustam Petroleum.

Itália – Assicurazioni Generali (seguros), ENI (petróleo), Fiat, Enel (energia).

Japão – Toyota, Nippol Telegraph & Telephone, Honda Motor, Hitachi (eletrônicos e equipamentos).

México – Pemex (petróleo), CFE (energia), América Telecom, Carso Global Telecom.

Rússia – Gazprom (energia), Lukoil (petróleo), UES of Russia (energia), Rosneff Oil.

Coréia – Samsung Electronics, LG (eletrônicos), Hyundai Motors, SK (petróleo).

Estados Unidos – Exxon Mobil (petróleo), Wal-Mart Stores, General Motors, Chevron (petróleo).

Bélgica – Dexia Group (banco), Delhaize Group (alimentos e comércio), KBC Group (banco), Inbev (bebidas).

 

* Austrália, Áustria, Bélgica, Holanda, Brasil, Inglaterra, Canadá, China, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Índia, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Malásia, Noruega, Rússia, Arábia Saudita, Cingapura, Coréia, Espanha, Suécia, Suíça, Taiwan, Tailândia, Turquia, Estados Unidos, Venezuela. Fonte: http://money.cnn.com/magazines/fortune/global500/2006/index.html

Carlos Drummond é jornalista. Coordena o Curso de Jornalismo da Facamp e é doutor em Economia pela Unicamp

Fonte: Terra Magazine