
De acordo com o cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – Ipea, Antônio Lassance, “o receituário neoliberal está mais forte que nunca”. “Hoje em dia, os ataques neoliberais não têm como foco de debate o setor econômico. Eles estão mais agressivos no campo da política, da religião, da relação de pessoas”.
Lassance deixou claro que a política neoliberal é “marcadamente contra os trabalhadores e sindicatos”, e que, por isso, para contrapor à crise, é preciso “impor barreiras não para diminuir produção, mas para permitir movimento entre produção, distribuição e consumo de mercadoria, de maneira responsável e justa para todos”.
O cientista político ainda ressaltou que, para passar pela crise financeira mundial mantendo as altas taxas de emprego e a redução da desigualdade, o governo deverá realizar a reforma tributária aumentando os juros para os ricos e “não tributando o consumo, mas a renda”.
“Manter conquistas depende da organização da classe trabalhadora. Temos que fazer um movimento de resgate, ou vamos perder o que ganhamos ao longo desses 12 anos”, afirmou o pesquisador do Ipea. Ele disse que esta é uma tarefa difícil, pois, atualmente, o grupo social que chegou à fase adulta passou “15, 20 anos ouvindo da TV que não vale a pena se organizar, que política só serve para passar as pessoas para trás, que sindicato não existe”.
Conjuntura do DF
O ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília e fundador da CUT, Jacques Pena, que palestrou na primeira mesa da 14ª Plenária da CUT Brasília nesta sexta-feira, avaliou que o Distrito Federal tem dificuldades de implementar um modelo de política democrático-popular. Isso porque, segundo ele, entre outros pontos, há “inchaço e desorganização da máquina pública, com excesso de secretarias; fragilidade de definição programática, de direção política e organizativa dos partidos, que enfraquecem o enfrentamento da direita, dos interesses de setores da mídia e do corporativismo”.
Ele ainda ressaltou que o Distrito Federal tem a maior concentração de renda do Brasil e o 7º maior PIB do País, mas que ainda existem vários nichos de pobreza na capital federal. Assim como Lassance, Pena afirmou que a tarefa do movimento sindical é difícil, imprescindível e fundamental para reformular o cenário atual, tornando-o mais propício à classe trabalhadora.
Leia mais:
– Dirigente CUTista aponta urgência da reorganização para continuar a luta
– 14ª Plenária Estatutária da CUT Brasília organiza entidades para avançar na luta
– Equidade de gênero e paridade na representação são aclamadas na Plenária de Mulheres da CUT Brasília
Fonte: CUT Brasília


























































































































































