Rede de Comunicação dos Bancários
O 26º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) começou nesta sexta-feira (28), em São Paulo, com a participação de 391 delegados de todo país, entre empregados da ativa e aposentados. O encontro, que termina no domingo, definirá a pauta de reivindicações específicas a ser negociada durante a Campanha Nacional dos Bancários 2010.
A mesa de abertura foi composta pelo presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro; o presidente da Fenae, Pedro Eugênio; presidente da Fenacef, Décio de Carvalho. A CUT foi representada pelo seu tesoureiro, Vagner Freitas. Também participaram representantes da CTB, Intersindical e Conlutas. Além disso, esteve presente Carlos Caser, pela Funcef, Maria Salete Cavalcante, representando o banco, e os membros da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa).
O tesoureiro da CUT, Vagner Freitas, abriu o Congresso ressaltando a organização sindical e política invejável que há entre os empregados da Caixa. "Vale lembrar que os ganhos conquistados pela categoria ainda estão muito aquém do que a empresa pode conceder. Precisamos continuar lutando em prol da unidade", afirma Vagner.
O presidente da Fenae, Pedro Eugênio, lembrou o aniversário de 39 anos da entidade, neste sábado, dia 29 de maio, ressaltou que o fórum é vanguarda no movimento sindical bancário e destacou também a maior participação feminina no encontro.
Já Carlos Cordeiro destacou a importância do 26º Conecef para a categoria bancária e do debate que devemos fazer sobre o papel dos bancos públicos. "A empresa reconhece que somos os representantes legítimos dos trabalhadores, como confirma documento assinado pela Contraf-CUT e a própria Caixa. É o movimento pela unidade que faz com sejamos vitoriosos", diz Cordeiro.
O presidente da Contraf-CUT ainda lembrou a necessidade de discutir as questões do crédito e a redução do spread bancário. "Além disso, também precisamos debater o processo de precarização do trabalho que vem ocorrendo por meio dos correspondentes bancários, assim como a necessidade de ampliar o vale alimentação aos aposentados", conclui.
o Congresso seguiu com o debate sobre conjuntura econômica, exposta pelo coordenador do Diesse, Sérgio Mendonça. O papel da Caixa no desenvolvimento social do Brasil também foi discutido com Benedito Barbosa, o Dito, da Central de Movimentos Populares.
O papel dos bancos públicos
Após a abertura, o economista do Dieese, Sérgio Mendonça, debateu a conjuntura e disse não ser possível falar unicamente do tema porque tudo leva a crer em um ambiente favorável de negociação para os bancários em setembro, mês de data-base da categoria. "Os indicadores apontam para crescimento entre 6 e 7% neste ano, caso aconteça, atingiremos o melhor resultado desde 1986, período da implantação do plano cruzado", afirma Mendonça.
Para Mendonça, não fossem os bancos públicos durante a crise financeira mundial, estaríamos hoje vivendo um período de recessão. "O país vinha crescendo 6,7% e com a crise foi reduzido para zero. Se dependêssemos dos privados, o país não teria voltado a crescer, certamente teríamos menos 3,4%", diz.
Segundo o economista do Dieese, a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES estimularam a economia, com programas de habitação, saneamento, crédito etc. "A retomada só foi possível com ação do governo e participação dos bancos públicos, com distribuição da renda e valorização do trabalho", diz.
O coordenador do Dieese ainda destacou a importância de termos voltado a discutir no país o tema do desenvolvimento. "Esta é uma tarefa histórica e muito relevante. Até meados dos anos 2000 isso não era possível, entrando em pauta nesses últimos oito anos em função do crescimento econômico. Os movimentos sindicais e os bancários tiveram papel fundamental nessa discussão", aponta Mendonça.
Para Sérgio Mendonça, a saída da crise que atinge atualmente a Europa e a continuidade do desenvolvimento econômico que há no Brasil só é possível com uma política de elevação dos níveis salariais, formação dos trabalhadores e de educação. "A proposta europeia baseada no mercado com os cortes fiscais está levando os países há uma recessão profunda, uma vez que visa a redução dos direitos e salários para sair da crise. Isso irá representa uma enorme regressão social, com efeitos em todo mundo", analisa Mendonça.
Para ele, temos que atuar com a proposta do capitalismo regulado, que traz aprofundamento do papel do Estado, baseado em modelo de desenvolvimento que inclui as pessoas, distribui a renda e busca acabar com a pobreza. "É como disse Celso Furtado, a política social mais importante é a da habitação", diz. "Para isso, precisamos construir projetos como o de transferência de renda, que beneficia 12 milhões de pessoas e gera efeitos reais na economia", conclui.
Movimentos populares
Os movimentos populares consideram a Caixa estratégica para a implementação de políticas públicas em geral e, em particular, para projetos de enfrentamento do déficit habitacional e da falta de saneamento para populações de baixa renda. A afirmação foi feita nesta sexta-feira na plenária de abertura do 26º Conecef, pelo dirigente da Central de Movimentos Populares, Benedito Barbosa, o Dito.
Na sua opinião, o fortalecimento do papel da Caixa no desenvolvimento social requer, necessariamente, a melhoria das condições de trabalho e de vida dos bancários. “Por isso – disse ele – as propostas e as reivindicações que vocês encaminharão a partir deste congresso são da maior importância também para cerca de 14 milhões de família que vivem em habitações precárias e sem saneamento básico”.
Dito lembrou a histórica parceria das representações dos empregados da Caixa com os movimentos populares, numa atuação conjunta que vem desde a criação do Fórum Nacional por Moradia Popular, passando pela mobilização que levou a vitória no Congresso Nacional do projeto de criação do Fundo para Moradia de Interesse Social, que tem a Caixa como gestora de seus recursos.
O dirigente da CMP destacou ainda as ações desenvolvidas em comum com a Fenae e outras representações dos bancários no âmbito da Conferência Nacional das Cidades e do Conselho das Cidades, onde são debatidas políticas em que a Caixa se afirma cada vez mais como agente financeiro público, a serviço do desenvolvimento social do Brasil.
Renovação e disposição de luta
Parcela expressiva dos 391 delegados inscritos ao 26º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) participam pela primeira vez do evento. Muitos são bancários com menos de um ano na empresa. A renovação das delegações, em média, deve superar 50%.
Ao mesmo tempo em que recebe oxigênio novo, o Congresso preserva também a experiência dos lutadores de longa data, muitos dos quais com participação em todas as edições do evento. O encontro de gerações fortalece a organização e a disposição de luta para a campanha salarial deste ano, fato evidenciado já na abertura solene do 26º Conecef.
A crise econômica que afeta paises europeus e provoca instabilidade mundo afora, o momento político brasileiro e os desafios para o movimento dos trabalhadores foram temas centrais das intervenções da solenidade de abertura do congresso e nos debates sobre a conjuntura e o papel da Caixa no desenvolvimento social do Brasil. Em termos de questões específicas a serem enfrentadas no âmbito da Caixa, os destaques foram a reestruturação unilateral promovida pela Caixa e a exigência de isonomia de direitos entre empregados novos e antigos.
A indignação dos empregados face à reestruturação em curso na Caixa foi expressa também em abaixo assinado com três mil subscrições entregue à representante da Caixa pela gerente da Ret/PV Imirim, Rebeca Furquin. Confira, a seguir, os termos do documento de iniciativa dos empregados daquela unidade:
"Nós, abaixo-assinados, empregados da Caixa, entendemos que a condução do processo de reestruturação em curso contraria os ditames da responsabilidade social e empresarial, na medida em que traz como conseqüência uma perturbadora incerteza acerca da manutenção dos locais de trabalho, das remunerações e das possibilidades de carreira. Esta medida, implementada de forma unilateral, prejudica de modo contundente o clima organizacional, trazendo reflexos em nosso cotidianos desde os seu anúncio. Por isso, vimos por meio deste, reivindicar a imediata suspensão do processo de reestruturação iniciado pela empresa até que seja esclarecido o rumo das áreas afetadas e de seus empregados, assim como abertura de diálogo entre a Caixa e seus empregados antes da retomada do processo".


























































































































































