O texto abaixo, elaborado pelo Dieese, trata do recente debate em torno da alta da inflação, é importante destacar que o Banco Central adota, quando a inflação é decorrente do aquecimento da demanda interna, o remédio clássico de alta dos juros, no entanto o governo pode ampliar o uso de outros instrumentos de combate ao aumento dos preços que já vem usando, entre eles:
- Ampliação da redução da alíquota de importação de produtos alimentícios, a exemplo do que foi feito com o trigo;
- Maior redução de tributos sobre a cesta de alimentação;
- Desoneração tributária aos setores de alimentação, a exemplo do que já foi feito com a suspensão da cobrança de PIS/Cofins sobre a comercialização do trigo, da sua farinha e do pão francês;
- Estímulo a produção, conforme texto abaixo; cita-se também a medida do ministério da agricultura com o aumento do limite de crédito de custeio de lavouras de trigo.
Segundo a pesquisa de preço do DIEESE, o Índice do Custo de Vida (ICV) no município de São Paulo acumula uma inflação de 4,95% nos últimos doze meses ¾ entre junho de 2007 e maio de 2008. Esse valor é superior àquele registrado no mesmo período do ano passado (4,13%).
Entre os grupos que compõem a inflação, a alimentação tem sido a maior responsável pela alta recente dos preços. No mesmo período, esse grupo acumula uma alta de 14,17%. Por essa razão, a inflação atual tem sido mais nociva às famílias de menor poder aquisitivo vis-à-vis aquelas de maior poder aquisitivo. Pois, o peso relativo das despesas com alimentação é maior no orçamento das famílias mais pobres.
Os índices de inflação por estrato de renda calculado pelo Dieese refletem essa realidade. Com relação ao terço das famílias com as menores rendas (1º tercil de renda mensal), a inflação já acumula uma alta de 6,77%. Em seguida, vem a inflação das famílias com nível intermediário de renda ( 2º tercil de renda mensal), que acumula 5,47%. Já para as famílias com maior poder aquisitivo o terço das famílias com maiores rendas – a inflação é menor (4,27%). Como se vê, o atual comportamento dos preços estabelece uma relação inversa entre nível de renda e inflação. Ou seja, quanto maior a renda, menor é a inflação.
As razões para a alta dos preços da alimentação são várias. De um lado, registra-se o aquecimento da demanda interna, provocado pela elevação do nível de ocupação e da renda das famílias, para a qual contribuíram as políticas sociais e o aumento real do salário mínimo. De outro, a redução da oferta interna de alguns produtos, causada pela estiagem prolongada de 2007. No cenário internacional, registram-se também fatores que afetaram tanto a demanda como a oferta de produtos. Entre eles, o aquecimento da demanda de alguns países em desenvolvimento (China e Índia, por exemplo), mais as quebras de safra de alguns grãos nos EUA, Austrália e Canadá, além das medidas de restrições às exportações do trigo e do arroz impostas pela Argentina e a Índia respectivamente.
Por outro lado, verifica-se também uma crescente participação de especuladores institucionais no mercado futuro de commodities. Esses investidores despejam bilhões de dólares nos mercados futuros de commodities, especulando em cima do aumento dos preços dos produtos negociados.
Algumas das razões mencionadas já foram equacionadas. No entanto, não é possível prever uma redução acentuada nos preços dos alimentos. O horizonte mais provável é de uma certa estabilidade, porém num patamar elevado. A iniciativa do governo brasileiro em reduzir a carga fiscal no preço dos alimentos e as alíquotas de alguns produtos importados, combinada à recente proposta de aumento do bolsa família, ameniza por um momento o drama das famílias mais pobres, mas não afasta por completo a ameaça de novas altas dos preços.
Elaboração: Subseção do Dieese no SEEB/DF


























































































































































