Ação do BC do Japão afeta lucro de bancos

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Os megabancos do Japão fizeram uma advertência em meio à recuperação, encabeçada pela “Abenomia” [política econômica baseada em estímulos monetários e fiscais e em reformas] adotada pelo país. A previsão é que o lucro conjunto dessas instituições caia neste ano fiscal devido à restrita demanda por crédito, à compressão das margens e da maior contenção do nível de atividade nos mercado de ações e bônus.

Ao anunciar ontem os resultados do período de 12 meses encerrado em março, os três grandes bancos – o Mitsubishi UFJ Financial Group, o Mizuho Financial Group e o Sumitomo Mitsui Financial Group – divulgaram um lucro líquido agregado de 2,51 trilhões de ienes (US$ 25 bilhões), com alta de 9% em relação ao ano anterior.

Os custos do crédito foram reduzidos pelos efeitos do programa múltiplo de incentivo adotado pelo premiê Shinzo Abe, enquanto os lucros nas divisões de corretagem foram reforçados pela alta dos volumes de transações com ações e pelas vendas realizadas pelos fundos mútuos.

No entanto, o trio prevê que o lucro conjunto cairá para 2,18 trilhões no período de um ano que terminará em março de 2015. A alta das ações, que promoveu a elevação do índice Nikkei 225 a um recorde em dezembro, se deteve em 2014, e o referencial caiu 12%.

Por outro lado, na medida em que o Banco do Japão, o BC do país, comprou dos bancos dezenas de trilhões de ienes em títulos públicos como parte do programa de afrouxamento monetário, a liquidez secou no mercado de bônus do governo japonês, privando os bancos do que havia sido uma de suas mais sólidas fontes de renda. No Mizuho, os ativos derivados de transações caíram 19%, para 11,5 trilhões de ienes, enquanto a receita com transações recuou 12%, para 189 bilhões de ienes.

A campanha do BC japonês de manter muito baixas e estáveis as taxas de juros também pressionou a diferença (spread) entre o custo de captação dos bancos e as taxas que cobram pelos empréstimos concedidos. O spread do Mitsubishi, por exemplo, caiu para a baixa recorde de 1,14% no quarto trimestre, em relação a 1,24% no último período do ano passado.

É pouco provável que os spreads se ampliem nos próximos 12 meses, disse Yasuhiro Sato, presidente do Mizuho.

Analistas dizem que o aumento das margens sobre empréstimos ao exterior poderá compensar parcialmente essa pressão, mas observam que o grosso dos ativos dos bancos permanece no Japão.

“A recente dinâmica positiva dos lucros é inerentemente insustentável sem uma elevação da lucratividade dos empréstimos domésticos”, afirmou Miki Murakami, da Fitch.

Os sinais de crescimento dos empréstimos são desiguais. A carteira do Mizuho cresceu 7% em relação ao ano anterior, a 91 trilhões de ienes, mas o aumento foi quase todo puxado pelas agências no exterior, onde os financiamentos subiram 20%. Localmente, houve ligeira queda no crédito ao consumidor e no imobiliário, enquanto o crédito para empresas de pequeno e médio porte – o sustentáculo do banco – subiu só 1,4%.

Fonte: Valor Econômico