Aposentados: presidente Lula cobra fonte de recursos para despesa maior

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Agência Diap com Agência O Globo 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que, se o Congresso indicar a fonte de recursos, pagará "de bom coração" o aumento de 7,7% para aposentadorias e pensões do INSS acima do salário mínimo.

A proposta é defendida por sindicalistas e parlamentares aliados, em substituição ao índice de 6,14% (com ganho real de 2,51%), concedido em janeiro pela Medida Provisória 475. Lula evitou falar em veto ao projeto, se ele for aprovado sem o aval do Planalto.
– É importante que cada deputado, ao votar, diga de onde vamos tirar o dinheiro que eles querem que a gente tire.

Se tiver dinheiro, não tem nenhum deputado, nenhum senador, que goste mais de aposentados do que eu. Agora, para eu poder pagar, preciso de recursos. Se eles aprovarem qualquer que seja o percentual, e me mostrarem onde está o recurso, pagarei de bom coração – afirmou Lula.

O governo já aceitou elevar o reajuste de 6,14% para 7%, que vinha sendo negociado pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT/SP), e que daria um ganho real de 3,43%. Mas Lula adverte que, sem nova fonte de recursos, prevalecerá o índice originalmente proposto:
– Se não me mostrarem (a fonte), e é por isso que acho que tem que ter seriedade, eu gostaria que fosse cumprido o acordo, ou que eles façam algo próximo daquilo que é possível pagar.

Mantega: aumento maior, só com corte de despesas O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que um aumento maior do que o proposto pelo governo só será possível com corte de despesas:
– Com os 6,14% propostos pelo governo, o custo a mais seria de R$ 2,8 bilhões anuais. Se for a 7%, é mais R$ 1 bilhão que seria difícil de pagar. Teremos de cortar alguma coisa para bancar os 7% – disse Mantega, em Porto Alegre, onde almoçou com empresários na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).

Para o presidente, numa economia sem inflação, um aumento real de 2% é "excepcional":
– Achamos que é pouco, porque estávamos acostumados a uma inflação de 80%, 90%. Cada sindicato fazia reivindicação pedindo 140%, 200%. Então, na hora que você tem inflação baixa, o aumento é mais baixo, e as pessoas acham que estão perdendo. Prefiro ter 2,5% de aumento real a ter uma inflação de 80% e pegar 70% de reajuste.

Atropelado pelos líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB/RR), e do governo no Congresso, Ideli Salvati (PT/SC), que encamparam a proposta de 7,7%, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT/SP), disse ontem que 7% é o limite. Relator da MP 475, ele evita falar em veto presidencial, se o Congresso acabar aprovando um reajuste maior, mas aposta que isso poderá acontecer:
– Com suas declarações, o presidente desautorizou completamente (aquele acordo) e deu indícios do que iria fazer – disse Vaccarezza.
– Dar um reajuste de 7% já é um excedente, já passamos do limite de 6,14%. Acho uma deslealdade deixar o governo isolado nessa posição. Se for para ficar isolado e perder, faremos. Depois, o presidente vê o que fazer.