
Trata-se de um adoecimento que, aparentemente, tem sintomas físicos, mas traz armadilhas psíquicas. Para que os tendões inflamem a fim de causar os Dort’s, são necessárias demandas sem qualquer descanso, além de controle rígido sobre a execução das tarefas. Apesar de que em alguns setores existam gestores que ajudam a exercer este controle, o peso de errar, de não dar conta de um alto volume de trabalho, de ser taxado o ruim, de ser exposto no ranking como “lanterninha”, as possíveis humilhações, o possível descomissionamento ou a possível demissão são ótimos controladores invisíveis neste ambiente de trabalho.
Desta forma, o trabalhador fica mais concentrado no medo do que no próprio trabalho, ficando impedido de pensar, sentir e refletir sobre esse trabalho. Ao somar a impossibilidade de reflexão com alto volume de trabalho gera o resultado de que tarefas repetitivas simples e a alta competitividade entre os funcionários têm um forte indício de adoecimento no trabalho por esforço repetitivo.
O trabalhador se vê dentro de um jogo no qual vale fazer mais pontos. Mas será que isso mede realmente quem é o bom funcionário? Bem, não há tempo nem espaço para reflexão. Aprisionado na ética e responsabilidade sobre o trabalho, contornar erros e proporcionar o bom atendimento se tornam tarefas exaustivas. Para torná-las menos cansativas seria necessário renunciar a esta qualidade e cair no famoso “arroz com feijão”. Assim, começam as jornadas extensas e as pequenas dores. Porém, reconhecer essa dor não é cabível dentro do jogo dos desempenhos fantásticos, sendo negada com uso de relaxantes musculares, analgésicos e antiinflamatórios.
Perceba que a situação causadora do investimento no trabalho, mesmo doendo não é resolvida, na verdade, é ignorada. A gravidade aumenta: formigamentos, fisgadas, incômodos, dores mais constantes. Mesmo assim, o trabalhador não consegue ver que sua dedicação a este trabalho está lhe causando isso. Essa cegueira, entorpecida pelos prêmios e o falso senso de utilidade, impede atribuir as dores ao trabalho. Começa uma saga na tentativa de ainda se manter ativo, mas em vão. Seu desempenho não acompanha o ritmo e a incapacidade toma conta do emocional.
Estudos em Psicodinâmica do Trabalho mostraram que o desenvolvimento de LER/Dort traz um agravo psíquico: a depressão. O trabalhador se deprime por não dar conta, por não estar mais dentro da competição, por se tornar inútil, além dos desgastes emocionais com as dores. A briga agora é consigo: é necessário que se faça terapia, acompanhamento com ortopedista, reumatologista, neurologista… é uma imensa “lista” para quem só tinha preocupação com números. É um caminho que não tem volta, apenas há como evitar piora. Além das dores, dos inchaços, das noites mal dormidas, das piadas dos colegas, das humilhações dos peritos, resta conviver com a constante sensação de ter sido totalmente descartado… a troco de quê?
Para mais orientações sobre o que fazer em caso de diagnóstico de LER/Dort ou sobre como se prevenir, entre em contato com o Sindicato. O telefone é 3262-9026 e o email é secsaude@bancariosdf.com.br. Ajude a mudar essa realidade.


























































































































































