O 14º dia de greve começou com a forte mobilização da categoria no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do presidente Lula. Os bancários chegaram com faixas e com a banda para reivindicar o cumprimento dos acordos coletivos, valorização dos funcionários e uma proposta que contemple os tópicos das minutas específicas e da geral da Campanha Nacional 2009.
“Queremos o cumprimento da jornada legal de 6 horas em todos os bancos. O Banco do Brasil é um dos exemplos de bancos que descumprem a lei”, ressalta Rafael Zanon, diretor do Sindicato. “Os bancos roubam duas horas diárias dos trabalhadores. Além da falta de isonomia e tantos outros problemas”, completa Enilson da Silva, diretor do Sindicato.
As faixas resumiam parte do sentimento de insatisfação dos trabalhadores: “Presidente Lula, as direções dos bancos públicos precisam valorizar os funcionários e respeitar os acordos coletivos que assinam”, “Bancário não é escravo. Fim das metas abusivas e jornada de 6 horas para todos”, entre outras.
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) marcou a segunda reunião de negociação desde o início da greve, para esta quarta, 7 de outubro, às 18h, em São Paulo. A reunião da semana passada entre os patrões e o Comando Nacional mostrou mais um capítulo de enrolação dos banqueiros. “Esperamos que finalmente ocorra uma boa proposta da Fenaban e nas específicas dos bancos”, afirma Eduardo Araújo, diretor do Sindicato. Ele e o presidente do Sindicato, Rodrigo Britto participarão da reunião com os banqueiros.
Os funcionários permaneceram no CCBB até às 14h para mostrar o abuso dos bancos com seus empregados e com a população. Além das tarifas e juros exorbitantes, os patrões tentam coagir os funcionários de várias formas: são cartas pedindo que os bancários voltem ao trabalho, ameaças de descomissionamento, entre outras ações denunciadas pelo Sindicato. “A repressão começa desde a posse dos novos bancários. Na greve, aqui mesmo no CCBB, a Gepes regional do Banco do Brasil impediu que o Sindicato distribuísse camisetas da Campanha para os novatos durante a posse”, relembra Wadson Boaventura, diretor do Sindicato.
João Bosco Calais Filho, secretário adjunto de Articulação Social da Presidência, recebeu uma comissão, formada pelos diretores Rafael Zanon, Mirian Fochi e Enilson Silva e mais três bancários de base, que apresentou os eixos da campanha, solicitando que o governo interecedesse junto à Fenaban e, em especial, às diretorias dos bancos públicos para que comecem a ser realizadas negociações sérias, com propostas concretas para os bancários e para a sociedade.
Leia a íntegra da carta encaminhada à Presidência da República por meio do secretário adjunto:
À Presidência da República
Os bancários estão em greve em todo o Brasil desde o dia 24 de setembro. O motivo é o abuso e o descaso da representação patronal das instituições financeiras ao longo de todo o processo de negociação com os trabalhadores, iniciado no dia 10 de agosto de 2009 com a entrega da minuta de reivindicações à Fenaban, com vistas à Convenção Coletiva Nacional da categoria e aos aditivos específicos com os bancos públicos e privados.
Conforme acordado em reunião nesta data, 7 de outubro, em que o movimento sindical foi recebido pelo secretário adjunto de Articulação Social da Presidência da República, sr. João Bosco Calais Filho, na atual sede da Presidência da República, elencamos abaixo as principais reivindicações específicas do movimento para o Banco do Brasil e para a Caixa Econômica Federal:
- Fim do descumprimento da CLT no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal no que diz respeito à jornada de trabalho de 6 horas;
- Pagamento da remuneração da substituição de função e fim da Lateralidade no Banco do Brasil;
- Isonomia entre os funcionários admitidos antes e após 1998 no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal;
- Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) no Banco do Brasil. Plano de Cargos Comissionados (PCC) na Caixa;
- Valorização dos pisos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, no valor de R$ 2.047.
Acreditamos que cabe ao governo pressionar todos os bancos a reduzir o spread bancário e os juros e tarifas. Além disso, é fundamental estabelecer o controle social do sistema financeiro, regulamentando a artigo 192 da Constituição Federal, de modo a garantir que a sociedade defina as linhas gerais do uso de seus recursos financeiros com transparência e valorização do corpo funcional dos bancos, seja em relação às condições de trabalho, seja em relação à sua participação nos conselhos de administração das empresas, sobretudo as públicas.
Atenciosamente,
Rodrigo Lopes Britto
Presidente dos Bancários de Brasília



























































































































































