O maior banco do mundo não é mais americano, e sim chinês. É o ICBC – Industrial and Commercial Bank of China -, que superou o Citibank em valor de mercado, refletindo resultado diferente das ações chinesas com o resto do mundo, nas últimas semanas.
Enquanto as bolsas globais viram evaporar US$ 3,3 trilhões de capitalização, a bolsa chinesa ganhou US$ 600 bilhões no mesmo período. Segundo a "Bloomberg", a apreciação impulsionou o ICBC a um valor de mercado de US$ 285,2 bilhões, superando em US$ 26 bilhões o valor do Citigroup até então o maior do mundo.
A nova relação de forças pode figurar compra de instituições ocidentais por bancos chineses. O presidente do ICBC, Jiang Jianqing, confirmou recentemente ao "Financial Times" que tem interesse em se expandir nos outros Brics – Brasil, Rússia e Índia – e que pediu licença para operar nos EUA.
Maior em capitalização não significa o que lucra mais. Em 2006, o lucro do banco chinês foi de US$ 6,5 bilhões, menos de um terço dos ganhos do Citi.
Mas também isso tende a mudar, disse ao Valor Samuel Chen, do JPMorgan Securities Ásia. "O crescimento do ICBC deve ser superior ao de outros bancos. Para 2009, calculamos que seu ganho líquido ficará em torno de 85% do obtido pelo Citigroup", afirmou.
Alguns analistas questionam se a evolução chinesa pode ser sustentável. Chen, do JPMorgan, observa que, de fato, os Estados Unidos têm uma economia ainda quatro vezes maior que a chinesa e que o Citigroup é superior em ativos e patrimônio. Mas destaca alguns pontos que o levam a crer que o ICBC continuará como o maior em capitalização.
Primeiro, pela próxima década, a China poderá crescer mais que os EUA e o resto do mundo e o setor bancário chinês vai se expandir muito mais rápido que o dos EUA. Segundo, nem o Citigroup nem outro grupo americano ou europeu tem uma fatia de mercado doméstico tão grande como o ICBC. Embora o sistema bancário chinês seja ainda equivalente a apenas 55% do mercado bancário americano, o ICBC controla 17 a 18% dos depósitos nesse setor em plena expansão. Além disso, sua lucratividade pode continuar a ser uma das mais altas na China pelos próximos três anos, com a melhora nos ativos e introdução de operações de leasing, por exemplo.
Valor Econômico – Assis Moreira


























































































































































