Bancos aumentam receitas com tarifas sem contrapartida para clientes

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Estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que os seis maiores bancos do país – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Caixa Econômica, ABN Amro Bank e Unibanco –, arrecadaram R$ 21,9 bilhões de seus clientes na prestação de serviços, um crescimento médio de 16,8%. Essas receitas superaram com folga o total das despesas de pessoal (R$ 15,8 bilhões), que cresceram 10,6%.

De acordo com o levantamento do Dieese, pela primeira vez, no Itaú e Bradesco, essas receitas excederam o resultado global com tesouraria dos dois bancos e perderam apenas para as receitas com operações de crédito. Nos demais, as tarifas bancárias ainda permanecem como a terceira maior fonte de lucro. O estudo verificou também o impacto positivo do crescimento das operações de crédito nas tarifas bancárias com a cobrança da Tarifa de Abertura de Crédito (TAC) que, no Itaú e Bradesco, cresceram 34% e 23% respectivamente.

“Os bancos aumentaram suas receitas com a cobrança exorbitante de tarifas bancárias, mas esqueceram de contratar mais bancários e expandir o número de agências para melhorar o atendimento aos clientes”, lembra Eduardo Araújo, secretário de Imprensa do Sindicato e diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT).

Veja aqui a íntegra do estudo elaborado pelo Dieese.

Redução das tarifas bancárias

Em novembro, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados deve realizar uma audiência pública para debater a redução da quantidade de tarifas bancárias. 

Recentemente foi criado no âmbito da Comissão de Defesa do Consumidor um Grupo de Trabalho para discutir os problemas das tarifas, com a participação do Ministério da Fazenda, do Banco Central e do Ministério Público Federal. O GT discute atualmente a padronização e redução do número de tarifas das atuais setenta para, no máximo, vinte.

No final de setembro, a Contraf/CUT participou de audiência com a presidência da Comissão de Defesa do Consumidor para debater as tarifas. Na ocasião, os bancários entregaram um documento que demonstram que a cobrança de tarifas e taxas por parte dos bancos é aleatória, independente da comprovação ou relação com os custos efetivos de cada operação cobrada. A audiência fez parte da estratégia aprovada na Contraf/CUT e do calendário aprovado pelo Comando Nacional dos Bancários.