A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) promoveu, no feriado de 7 de setembro, um seminário para 16 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e 31 desembargadores de sete Estados sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.
Para participar do evento, os 47 juízes receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano. O pacote, que incluiu despesas com familiares dos convidados, saiu ao preço de ao menos R$ 182 mil. Tudo pago pela Febraban.
O seminário, na verdade, não passou de uma tentativa leniente dos banqueiros de passar uma idéia equivocada à Justiça de que o spread no Brasil é baixo em razão dos custos administrativos. O que os banqueiros não disseram, porém, é que custos de despesas administrativas não repercutem no spread porque são cobertos com folga pelas tarifas exorbitantes que cobram de clientes e usuários. Além do altíssimo valor das taxas, os pacotes de serviços oferecidos muitas vezes extrapolam as reais necessidades do correntista.
E mais: o Sindicato estranha o fato de o seminário ter sido realizado justamente em plena Campanha Nacional dos Bancários, o que leva a crer que o encontro nada mais é do que um esforço desmedido dos banqueiros de conseguir com mais facilidade junto à Justiça a concessão de interditos proibitórios e mais simpatia no julgamento de ações que os envolvam – de cada 100 ações analisadas pelo STJ, cerca de 30 são relacionadas a denúncias contra os bancos.


























































































































































