Bancos precisam assumir sua responsabilidade com a segurança, diz secretário

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Em audiência realizada nesta segunda-feira 9 de abril com Contraf-CUT, que contou com a participação do Sindicato,

o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, disse que para conter a curva ascendente de ocorrências de assaltos a bancos é necessário arrumar uma forma de as instituições assumirem sua parcela de responsabilidade.


O presidente da Contraf-CUT, Vagner Freitas, ladeado pelo diretor do Sindicato, Rodrigo Britto, entrega carta à Secretaria Nacional de Segurança Pública em que denuncia o descaso dos bancos com o tema segurança

Em audiência realizada nesta segunda-feira 9 de abril com Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que contou com a participação do Sindicato, o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, disse que para conter a curva ascendente de ocorrências de assaltos a bancos é necessário arrumar uma forma de as instituições assumirem sua parcela de responsabilidade.

Fernando Corrêa classificou o problema enfrentado pela categoria bancária como preocupante e se comprometeu a levá-lo ao ministro Tarso Genro, da Justiça, para que mobilize também a polícia para combatê-lo. “Foi uma reunião muito produtiva. Além de receptivo, o secretário se mostrou bastante preocupado com a questão. Considerou absurdos certos procedimentos bancários realizados sem a devida segurança, como o fato de bancários serem obrigados a ficar com chaves de cofres e agências ou terem que transportar ilegalmente o dinheiro dos bancos”, afirmou o presidente da Contraf-CUT, Vagner Freitas.

A negligência dos bancos para com a segurança é apontada pelo movimento sindical como um dos principais motivos do aumento no número de assaltos a agências em todo o país. “Os bancos não estão nem um pouco preocupados com essa questão. Ignoram a realidade e fingem que o problema não é com eles”, destacou o diretor do Sindicato, Rodrigo Britto, representante do Sindicato na reunião. “Por conta disso, o combate à violência nas instituições financeiras se tornou uma das principais bandeiras levantadas pelos representantes dos bancários”.

A iniciativa se justifica. Dados da Comissão Consultiva de Assuntos de Segurança Privada (CCASP), órgão ligado ao Ministério da Justiça do qual a Contraf-CUT participa desde 1995, referentes a processos de bancos levados a julgamento entre junho de 2002 e março deste ano mostram que, juntos, os maiores bancos com atuação nacional são responsáveis por 1466 autuações. Com 28% do total, o Bradesco encabeça o ranking, seguido pelo Banco do Brasil (19%), Santander e Unibanco (9%) e HSBC (7%).

“São dados alarmantes. É preciso reverter este quadro e fazer com que os banqueiros invertam esta lógica perversa que prioriza o pagamento de multas ao invés de investimentos em instrumentos eficazes de segurança”, apontou Raimundo Dantas, diretor do Sindicato e membro da Comissão de Segurança Bancária da Federação Centro-Norte. “É nesse sentido que o Sindicato de Brasília vem atuando, na busca de adoção de medidas por parte dos patrões para que a situação no DF, principalmente na região do Entorno, não tome contornos a que alguns estados chegaram”.

Além de conhecer o trabalho da Contraf-CUT na CCASP, o secretário solicitou ainda à Confederação um levantamento minucioso sobre os assaltos às agências e a insegurança que vem tomando conta de quase todo o país. Os representantes do trabalhadores destacaram também o problema da subnotificação, já que muitos assaltos ocorrem sem que os bancos registrem ao menos um Boletim de Ocorrência. O secretário disse que o IBGE está realizando uma pesquisa de casa em casa para traçar um quadro sobre a violência no Brasil e que este levantamento pode colocar as subnotificações dos bancos nas estatísticas.

Abaixo, a íntegra da carta entregue pelos bancários a Luiz Fernando Corrêa. 

Senhor Secretário,

Os bancários de todo o país estão preocupados com o crescente número de assaltos a bancos que atinge praticamente todas as regiões do Brasil, desde as pequenas cidades até as grandes metrópoles.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que representa mais de cem sindicatos e 90% dos bancários do país, vem ao senhor solicitar que esta Secretaria intervenha para que o problema da segurança bancária seja resolvido.

Esta Confederação participa desde 1995 da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Pública (CCASP), que assim como a sua Secretária é parte integrante do Ministério da Justiça. Por meio deste órgão, temos constatado um aumento significativo das autuações contra os bancos por falta de segurança. Os números impressionam, principalmente de 2004 para cá, como o senhor pode observar no documento em anexo.

A negligência das instituições financeiras vai desde a falta de porta giratória com detector de metais nas agências e, principalmente, no auto-atendimento, até a ausência de sistema de alarme, passando pelo número de vigilantes, que é insuficiente e sem treinamento. Inclusive há agências que não contam com nenhum vigia.

Ao invés de corrigir as falhas, os bancos preferem pagar as multas, porque saem mais baratas que a contratação de mais vigilantes ou a implantação de uma porta giratória, por exemplo. No afã de lucrar cada vez mais, os bancos estão deixando a vida de clientes e usuários à mercê dos bandidos, que se sentem praticamente “convidados” a assaltar os bancos, tamanha a facilidade que encontram. 

Mas, se a situação das agências está assim, pior é para os correspondentes bancários, cuja segurança é praticamente zero. As casas loterias, lojas de departamentos e grandes magazines fazem hoje praticamente os mesmos serviços das agências bancárias, sem passar por qualquer adaptação no sistema de segurança.

Há também o problema do transporte irregular de valores feito por bancários. Os bancos também costumam obrigar os funcionários a levar as chaves das agências e dos cofres para casa, expondo-os a um risco desnecessário. Lutamos contra esta irregularidade há anos, mas os bancos continuam com este tipo de atuação.

Por tudo isso, pedimos a intervenção do senhor nesta luta que hoje é de toda a sociedade brasileira, não mais apenas dos bancários. A população está assustada e a mídia tem repercutido muito o problema da segurança bancária. Os dados obtidos pelos próprios meios de comunicação mostram crescimento de mais de 100% nos números de assaltos na cidade de São Paulo nos três primeiros meses deste ano, comparados com igual período do ano passado. Mostram ainda que em Minas, Rio, Rio Grande do Sul e até em Rondônia a violência bancária tem crescido vertiginosamente. 

Uma das formas de combatermos o problema é com a atualização da lei 7.102, que ainda prevê multas em Ufirs e seu baixo valor incentiva a infração. Outra ação fundamental é o apoio da Polícia Federal. Queremos a intensificação da vistorias nas agências, com mais efetivo policial. 

A situação está insustentável e, se não tomarmos medidas eficazes para combater o assalto, a violência vai continuar crescendo, porque os bancos não estão interessados em coibir o problema. Muito pelo contrário, sua negligência expõe a vida de clientes, usuários, vigilantes e bancários. 

Na certeza de contarmos com o seu apoio, agradecemos a audiência e nos colocamos à disposição para qualquer coisa.

As informações são da Contraf-CUT