
A liderança deste lamentável ranking ficou com a Caixa Econômica Federal, com R$ 1,3 milhão, seguida pelo Banco do Brasil, com R$ 853 mil, Santander Real com R$ 560 mil e Itaú Unibanco com R$ 317 mil. Quatro bancos tiveram agências interditadas por falta de plano de segurança: HSBC, Banif, Uruguay e Nordeste (BNB).
"Não por coincidência, alguns desses bancos figuram como os principais vilões da nossa greve, o que evidencia mais uma vez o descaso dessas instituições com os seus funcionários. Não à toa, a reivindicação por mais segurança nas agências é uma das prioridades da Campanha 2009", destacou o presidente do Sindicato, Rodrigo Britto.
Os bancos a que Britto se refere são a Caixa e o Itaú-Unibanco. A Caixa que foi multada é, paradoxalmente, a mesma que vem tratando como caso de polícia a justa greve dos bancários ao contratar agentes de segurança da empresa Patrimonial para intimidar e impedir, com truculência, a livre manifestação dos trabalhadores em Brasília. Já o Itaú- Unibanco, por sua vez, se utilizou do famigerado interdito proibitório para tentar barrar a mobilização.
Para o presidente do Sindicato, "a energia e os gastos despendidos por esses bancos poderiam ser mais bem proveitosos se fossem revertidos em favor dos interesses dos bancários".
Números
Estiveram em pauta 477 processos para julgamento, dos quais 302 envolvendo bancos, sendo que 41 foram arquivados. A Febraban retirou 16 processos, quase todos com pareceres pela interdição dos estabelecimentos, para vistas e apresentação de novos recursos. Três processos, que seriam arquivados, foram retirados pela Contraf-CUT para análise visando entrar com medidas para multar os bancos. Os demais processos julgados se referem a empresas de vigilância, transporte de valores e centros de formação de vigilantes.
Veja os bancos multados:
Caixa Econômica Federal – R$ 1,381 milhão
Banco do Brasil – R$ 853,8 mil
Santander Real – R$ 560 mil
Itaú Unibanco – R$ 317 mil
Bradesco – R$ 137,2 mil
HSBC – R$ 121,8 mil
BMG – R$ 20 mil
Korea – R$ 20 mil
Nordeste (BNB) – R$ 10 mil
Total – R$ 3,422 milhões
Só um vigilante na hora do almoço
A orientação da PF, que permite a presença de apenas um vigilante quando o outro está em horário de almoço, foi outra vez um dos temas mais debatidos. Bancários e vigilantes alertaram novamente que esse procedimento contraria a Lei Federal 7.102/83, que obriga a presença de "vigilantes" nos estabelecimentos.
"Como ninguém quer a volta do almocista, aquele que substituía quem almoçava, a solução é a contratação de mais um vigilante nas unidades que possuem dois, garantindo assim o cumprimento da legislação. Além do mais, recursos não faltam aos bancos", propôs o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr. "Há casos de agências que abrem quatro horas por dia e, com essa orientação, ficam a metade do tempo com apenas um vigilante, o que precariza a segurança nos estabelecimentos e aumenta o risco de assaltos", apontou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes (CNTV).
Avaliação
"Falta de plano de segurança devidamente aprovado pela PF, número insuficiente de vigilantes ou ausência desse trabalhador no autoatendimento e existência de alarmes inoperantes foram algumas das principais irregularidades punidas pela CCASP", afirmou o diretor da Contraf-CUT. "Com esse descaso, os bancos aumentam o risco, precarizam as condições de segurança e ameaçam a integridade física e psicológica dos trabalhadores", destacou Ademir.
"Apesar dos lucros astronômicos, os bancos abusam ao descumprir as normas de segurança. É injustificável que os bancos sigam colocando a defesa do patrimônio acima da vida dos trabalhadores e clientes", ressaltou o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Daniel Reis.
"Mais do que pagar as multas, nós esperamos que os bancos passem a cumprir a legislação e apliquem parte de seus lucros bilionários na proteção da vida de bancários, vigilantes e clientes e na melhoria das condições de segurança dos estabelecimentos", salientou o dirigente sindical. "O setor mais lucrativo da economia, que propagandeia responsabilidade social, não pode continuar expondo as pessoas ao risco permanente de assaltos e seqüestros", concluiu Daniel.
O que é a CCASP
A CCASP é um fórum tripartite. Conta com representantes do governo e entidades dos patrões e dos trabalhadores e se reúne, em média, a cada dois meses para julgar os processos abertos pela fiscalização das delegacias estaduais da PF. A Contraf-CUT representa os bancários e atua em conjunto com o Coletivo Nacional de Segurança Bancária, integrado por dirigentes das federações, e em parceria com a CNTV.
Nova reunião da CCASP será realizada nos dias 15 e 16 de dezembro.
Fonte: Seeb Brasília e Contraf/CUT


























































































































































