
A internacionalização da empresa atendia também ao interesse brasileiro de aumentar a visibilidade da bandeira nacional no cenário econômico global. Odesenvolvimento das atividades offshore no exterior abriria mercados para empresas domésticas supridoras de sua demanda de equipamentos e de serviços, viabilizando a constituição de um cluster petrolífero no Brasil voltado
para o Atlântico Sul. Além disso, a expansão do seu parque de refino fora das fronteiras nacionais criava condições favoráveis para a difusão da estratégia brasileira de substituição de combustíveis fósseis por
combustíveis renováveis em outros mercados.
Naquele momento, o mercado petrolífero passava por profundas transformações. Depois de duas décadas de estagnação, o consumo global de derivados de petróleo voltara a crescer, e havia sido iniciada a escalada no preço do petróleo que, emquatro anos, triplicaria. No plano doméstico, crescia a produção de petróleo, indicando que o Brasil tornar-se-ia exportador líquido desse combustível.
Porém, a Petrobras continuaria sendo obrigada a importar óleo leve para suas refinarias no país e a exportar óleo pesado para ser refinado (e comercializado) no exterior.
O sucesso dos veículos flex tornava esse problema urgente, na medida em que as refinarias brasileiras teriam que se ajustar a um mercado pouco demandante de gasolina. Nesse contexto, a expansão da capacidade de refino no exterior agregaria valor ao petróleo pesado exportado pela empresa a preços abaixo dos preços do óleo leve importado e abriria mercados para a sua produção de petróleo no exterior.
A entrada deumnovo refinador em qualquer mercado é tarefa complexa, que contém riscos econômicos elevados. A estratégia preferencial de entrada no refino em novos mercados é a aquisição de refinarias
com licenças ambientais aprovadas, atuantes em mercado consumidor consolidado. Pasadena enquadrava-se nesse figurino. Restava o problema da definição do preço de aquisição.
A determinação do preço de uma refinaria é tarefa complexa. Inicia-se com a análise das condições operacionais e a identificação dos investimentos necessários para adequar seu programa de produção de derivados ao almejado pelo comprador. Segue com a avaliação das margens de comercialização dos derivados que sairão das instalações e dos riscos envolvidos na operação.
Essas expectativas são transportadas para planilhas, nas quais se definem patamares de preço para a compra dos ativos da refinaria com o apoio de fluxos de caixa descontados. Cabe à administração da empresa compradora definir os investimentos, avalizar as expectativas adotadas nos fluxos de caixa e identificar os riscos envolvidos na transação, antes de optar pelo preço a ser oferecido ao vendedor.
É muito difícil para um analista que não tenha participado das reuniões do
Conselho de Administração da Petrobras identificar os elementos que induziram seus participantes a endossarem o preço proposto para os primeiros 50% de Pasadena. Tampouco é fácil compreender as razões que levaram o conselho a deslanchar o processo judicial ao ser confrontado com a necessidade de adquirir os 50% restantes. Contudo, era previsível que, no ambiente de retomada da expansão do consumo de derivados e de escalada no preço do petróleo, o preço de mercado de Pasadena aumentaria com o passar dos anos. Ao decidir iniciar um processo litigioso, a administração da Petrobras deveria saber que, derrotada nos tribunais, o custo de aquisição desses 50% subiria astronomicamente.
Isso posto, quatro são as perguntas que, respondidas pela Petrobras, permitiriam dar satisfação ao clamor público gerado pela declaração da presidente Dilma de que o Conselho de Administração da empresa não foi adequadamente informado por sua diretoria. 1. As premissas adotadas na elaboração dos fluxos de caixa que substanciaram a definição dos preços propostos para a aquisição das duas metades da Pasadena refletiam as condições de mercado vigentes nos momentos em que foram elaborados? 2. Essas premissas foram avalizadas pelo Conselho de Administração? 3.Ocorpo jurídico da Petrobras informou ao Conselho de Administração a probabilidade de sucesso de um processo litigioso? 4. O Conselho de Administração foi informado do custo adicional da Pasadena, caso a Petrobras fosse derrotada nos tribunais?
Fonte: Correio Braziliense


























































































































































