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Os bancários, cooperativários e financiários lotaram o auditório do RM Hotel Fazenda, em Sobradinho, no dia 5 de junho, para discutir e definir as propostas de reivindicações, gerais e específicas e as estratégias da Campanha Nacional de 2010. O Seminário dos Trabalhadores das Instituições Financeiras Privadas debateu especialmente as transformações passadas no ramo financeiro e as questões de saúde dos funcionários, questões importantes para a mobilização e a defesa dos interesses da categoria.
As premissas deliberadas no Seminário serão encaminhadas para o 6º Congresso dos Bancários de Brasília, que será realizado em 16 e 17 julho. “O que temos de observar nesse cenário atual é que a luta é de todos, independentemente da instituição financeira ser privada ou pública. A campanha tem que ser pautada na unidade, estratégia que tem sido bem sucedida nos últimos anos”, ressalta Rodrigo Britto, presidente do Sindicato.
Miguel Pereira, secretário de Organização da Contraf-CUT, em sua palestra, informa que o processo de reestruturação do ramo financeiro ocorrido a partir da década de 90 veio acompanhado por uma renovação da categoria, com base na rotatividade de mão de obra. “É interessante observar a renovação de ideias com os que estão entrando, mas a rotatividade não deixa que o trabalhador se familiarize com o sistema e com o movimento sindical. Isso deixa mais difícil a luta pelas reivindicações da categoria”, afirma.
O bancário atualmente tem de atender de produtos e serviços. O processo agora é de venda. A mudança do perfil do bancário foi estabelecida pela imposição de metas cada vez maiores. “Quem vende fica, quem não vende sai. Essa nova formulação diminui a qualidade de trabalho”, completa Miguel Pereira.
As demissões são consequências para aqueles que não conseguem participar do jogo. O modelo de trabalho também gera salário fixo baixo. A remuneração só aumenta com o cumprimento de meta. A mão-de-obra desempregada em excesso torna fácil a contratação de outro empregado com um salário rebaixado. “Hoje são 450 mil trabalhadores bancários formalizados em todo o Brasil. Na década de 90 havia 1 milhão”, comenta Rosane Alaby, diretora do Sindicato.
O movimento sindical também mantém como reivindicação geral para os trabalhadores a ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que impede a demissão imotivada. A Convenção traria uma trava para a rotatividade pois dificultaria as demissões pelos patrões.
A regulamentação do sistema financeiro nacional também deve ser observada pelos trabalhadores. A legislação que vigora foi instituída durante a ditadura e definiu o papel dos bancos focado na venda e no lucro. Os trabalhadores lutam por um novo formato de sistema financeiro que assegure crédito à população, gerando empregos e renda. As vendas devem ser uma atividade acessória. Além de valorizar o trabalhador, o novo modelo defendido deve servir de sustentação do desenvolvimento econômico e social.
Saúde do trabalhador

Os bancários questionam o modelo de gestão do banco que favorece o adoecimento físico e mental do trabalhador. As cartilhas de atuação e o “código de ética” exigido dos trabalhadores pelos bancos privados contribuem para a continuação desse processo. “Elas delimitam a atuação dos funcionários com metas contraditórias eticamente e no relacionamento e no relacionamento ao tratamento com os clientes e colegas, que aumentam ainda mais as situações de adoecimento psíquico e de violência moral”, frisa Vitor Barros, psicólogo.
Segundo ele, o projeto Clinica do Trabalho do Sindicato em parceria com a UnB, que discute e acompanha a saúde da categoria, já constatou que os funcionários não recebem informações do banco para ações de prevenção contra doenças ocupacionais como LER/Dort.
No seminário, o psicólogo apresentou um novo projeto do Sindicato: um Grupo Gestão em Diálogos para acompanhamento com gestores. O objetivo é minimizar as doenças nesse grupo de pessoas também e que eles tenham informação para um tratamento equilibrado com os subordinados e para implementação das devidas mudanças no ambiente de trabalho contra a violência moral.
Debates em grupos
Após as palestras e os debates, os participantes do seminário trabalhadores foram divididos em três grupos: financiários e cooperativários, funcionários dos bancos privados em geral e bancários do Itaú Unibanco. Cada um deles discutiu as questões de negociações específicas de cada instituição.


























































































































































