Comemorações do Dia do Trabalhador: agenda cheia, com guerrilha cultural e de formação

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Com o auditório Adelino Cassis lotado, a CUT Brasília e os sindicatos filiados deram início nesta quarta-feira (30) às comemorações do Dia do Trabalhador com o lançamento da Agenda da Classe Trabalhadora. Este calendário, com início em 1º de maio, apresenta uma série de atividades de cunho político-cultural que convergem na defesa da Pauta de Luta da Classe Trabalhadora, defendida e aprovada pela Central e seus sindicatos em assembleia realizada em junho do ano passado.

A Agenda da Classe Trabalhadora é constituída por manifestações, shows, atos políticos, cinema, festas, que serão desenvolvidos ao longo do mês. O destaque da Agenda é a Guerrilha Cultural e de Formação: um conjunto de atividades, com apresentações de artistas populares candangos, que serão realizadas em praças públicas e em estações do Plano Piloto e cidades satélites. Concomitantemente, haverá a coleta de assinaturas para apoio ao Plebiscito pela Reforma Política e para encaminhamento e aprovação da Lei da Mídia Democrática. Este é um projeto de iniciativa popular para regulamentar os artigos da Constituição Federal que tratam dos veículos de comunicação no Brasil, e que precisa de 1,3 milhão de assinaturas para ser apreciado pelo Congresso Nacional.

As comemorações do Dia e do Mês do Trabalhador também trazem à tona a continuidade da luta contra o projeto de lei 4330, de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB – GO). Entre os ataques patrocinados por este projeto, conhecido como PL da escravidão, estão a permissão para a subcontratação de serviços sem limites, inclusive na atividade essencial da empresa, a legitimação da desigualdade de direitos entre contratados diretos e terceirizados e o enfraquecimento da responsabilidade solidária – aquele em que a empresa principal arca com as dívidas trabalhistas não pagas pelas subcontratadas. Em outras palavras, o PL 4330 rouba direitos de todos os trabalhadores, independentemente de serem do setor público ou da iniciativa privada, e precariza o trabalho generalizadamente. Pela pressão da CUT e dos sindicatos filiados, a tramitação do projeto não prosseguiu em 2013, mas poderá voltar à pauta da Câmara dos Deputados após as eleições gerais deste ano.

Clique aqui para ver a primeira parte da Agenda da Classe Trabalhadora (até o dia 6 de maio). As atividades serão divulgadas semanalmente para que todos possam acompanhar o calendário e participar das atividades.

Reafirmar a ideologia da classe trabalhadora

As manifestações da juventude em junho-julho de 2013, ocorridas à margem dos sindicatos e dos partidos políticos, foram um dos elementos lembrados durante o debate sobre os desafios do movimento sindical neste ano atípico, com grande eventos esportivos e políticos. E suscitou reflexões e intervenções sobre a organização de classe, representação e o papel dos sindicatos e sindicalistas.

O presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, entende que “o movimento sindical ficou em parte acomodado depois que elegemos para a presidência do Brasil um operário. Muitos acharam que, com isso, o governo poderia fazer tudo. E então afrouxaram os ânimos em relação ao exercício do seu papel de defender, intransigentemente, a classe trabalhadora”. Para Rodrigo, “o movimento sindical tem de cumprir seu papel e não baixar a cabeça para o governo, se os interesses da classe trabalhadora não estiverem sendo atendidos, mesmo que seja este governo originário de projeto que defendemos”.

O presidente da CUT Brasília conclamou todos “a dar atenção devida à juventude, a discutir com os jovens, a formá-los, a trazê-los para dentro da CUT e dos sindicatos, e não rechaçá-los, mesmo que às vezes pareçam radicais”. Rodrigo entende que não podemos deixar a juventude continuar a ser formada pela mídia que trabalha em defesa do capital, do empresariado e do capitalismo. “Temos de fazer uma reflexão e reafirmarmos os nossos princípios e ideologias. Temos que deixar de ter medo e vestir nossas camisas, levantar nossas bandeiras, dialogar com a sociedade e fazer o nosso papel”, disse o dirigente CUTista.

Compromisso de classe e fortalecimento da luta

Para o secretário-adjunto nacional de Saúde do Trabalhador da CUT, Eduardo Guterra, que participou do lançamento da Agenda da Classe Trabalhadora, “a sociedade vai exigir que os movimentos sejam preponderantes no contexto de um governo democrático-popular”. Para ele, essa importância só ganhará corpo com o fortalecimento da classe trabalhadora, o que só pode ser realizado através da atuação comprometida dos dirigentes e militantes sindicais. “Nós merecemos ser reconhecidos, mas, acima de tudo, temos que refletir sobre o nosso papel como trabalhador e sindicalista”, complementou a dirigente do Sindicato dos Professores do DF – Sinpro-DF, Rosilene Corrêa, que mediou o debate sobre os Desafios da Classe Trabalhadora no lançamento da Agenda.

Segundo a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), o povo brasileiro garantiu avanços com os governos petistas, mas ainda é necessário realizar uma “reforma estrutural”. “Não fizemos o luto do colonialismo, e isso se reflete nas expressões machistas, sexistas, nos processos de desumanização. Ainda não desmontamos completamente o processo da ditadura, da escravidão. Para que isso seja feito, precisamos da reforma nos meios de comunicação, da reforma política, da reforma estrutural”, afirma. E alerta: “ou fortalecemos a organização de classe, a organização popular, ou teremos uma eleição difícil e permaneceremos com representantes do capital, do machismo, do sexismo, da intolerância religiosa, do preconceito no Congresso Nacional”.

Fonte: CUT-Brasília