Conferência reúne mulheres trabalhadoras de toda a América

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Ao centro (de blusa laranja), a diretora do Sindicato Rosane Alaby

Entre os dias 21 e 23 de abril, foi realizada a 3ª Conferência Regional Uni-Américas Mulheres, no Panamá. O evento reuniu trabalhadoras de todo o continente para debater problemas que são comuns à vida de mulheres em todo o mundo. O encontro também traçou a estratégia de atuação com foco na mulher sindicalista e elegeu a nova direção da entidade para o mandato 2008/2012.

Relações de gênero na sociedade, formas de enfrentamento à violência, busca por relações igualitárias na sociedade e no mundo do trabalho foram tratados no encontro, bem como a criação de uma campanha para ampliação da sindicalização da mulheres. Estiveram presentes sindicalistas de 20 países das Américas (Estados Unidos, Canadá, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicaragua, Panamá, Caribe, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela).

O Brasil enviou representantes de diversos setores, como gráfico, telefônico, comércio e correios. Os bancários foram representados por Neide Fonseca, diretora da Contraf-CUT e presidenta da Uni Mulheres, Deise Recoaro, secretária de Formação da Contraf, Arlene Montanari, secretária de Políticas Sociais, Neiva Ribeiro e Rita Berlofa, diretoras do Sindicato dos Bancários de São Paulo, e Rosane Alaby, do Sindicato dos Bancários de Brasília.

A presidência passou para a norte-americana Joyce Robson, da American Postal Workers Union (organização sindical dos Correios dos EUA), seguindo acordo de rodízio na cadeira. A eleição pela vice-presidência foi vencida pela colombiana Eleonor Sierra Acosta, da Associação Nacional de Empregados do Banco da República, com apoio da delegação brasileira.

Para Deise Recoaro, essa eleição foi uma importante conquista das trabalhadoras. "O Brasil retirou sua candidatura para apoiar Eleonor e esse movimento foi fundamental. A Colômbia vive uma situação crítica, com perseguição e até assassinatos de sindicalistas, e esperamos que essa vitória ajude a dar visibilidade a essa situação", avalia Deise.

Deise explica que a luta contra o narcotráfico serve de justificativa para a criação, com permissão do governo, de grupos paramilitares de "auto-defesa". Esses grupos são responsáveis por boa parte dos crimes contra sindicalistas que chegam a ser esclarecidos (75% das mortes não tem sua autoria esclarecida). "Essas mortes indicam que essa situação vai além da defesa e toma um caráter político, de repressão aos movimentos sociais e sindicais. Há sindicatos que não conseguiram firmar nenhum acordo coletivo em dez anos, é uma situação absurda", avalia Deise.

Mapa da Diversidade – Arlene Montanari realizou no evento uma apresentação sobre o Mapa da Diversidade e o "Projeto de Valorização da Diversidade nos Bancos", conquistados pelos bancários junto à Febraban. "É uma vitória que refletirá em toda a sociedade brasileira", disse Arlene.

Fonte: Contraf-CUT