Definida ao longo da 12ª Conferência Nacional dos Bancários, a pauta de reivindicações da categoria é composta, além dos itens econômicos, de temas como fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, segurança nas agências e defesa do emprego. Confira, abaixo, o que os trabalhadores do ramo financeiro negociarão com os banqueiros neste ano.
PCCS
Criação de um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) para todos os bancos, com o acompanhamento dos sindicatos dos bancários. O objetivo é incentivar o trabalhador a galgar novos passos em sua carreira dentro da instituição financeira, garantindo a igualdade de oportunidades a todos os trabalhadores na ascensão profissional, acompanhada de remuneração digna.
Proposta de PCCS
Reajuste por tempo de casa
1% a cada ano de trabalho
2% a cada cinco anos de trabalho
Treinamento
Os bancos são obrigados a treinar o trabalhador
para a nova função por, no mínimo, 60 dias.
Seleção
Para preencher uma nova vaga, o banco é obrigado a fazer um processo de seleção interna, com disponibilização da grade curricular necessária e curso para os trabalhadores dentro do expediente.
Em caso de descomissionamento do bancário, a comissão será incorporada ao salário integralmente.
VA, VR e auxílio-creche
Os delegados presentes à Conferência aprovaram aumentos maiores para os vales alimentação e refeição, cada um deles com o valor de um salário mínimo nacional (R$ 510). Foi aprovado também que o pagamento da cesta-alimentação ocorra durante todo o período de afastamento do bancário.
O valor de um salário mínimo também está sendo reivindicado para a 13ª cesta-alimentação, conquistada durante a Campanha Nacional Unificada de 2007, e para o auxílio-creche.
Remuneração total
A categoria decidiu que vai lutar pela contratação total da remuneração. Dessa forma, é necessário negociar com os bancos, além da remuneração fixa (como os salários e verbas) a remuneração variável que a cada ano ocupa parcela maior do salário dos bancários. A partir dessas negociações será possível colocar travas, limitar e acabar com a imposição de metas abusivas que atormentam e adoecem os trabalhadores.
Entre as propostas para a remuneração variável, os bancários querem que os bancos paguem mensalmente 10% sobre o total das vendas dos produtos financeiros realizados nas unidades e 5% da receita de prestação de serviços, apurada trimestralmente e distribuída de forma linear, com a incorporação de um percentual ao salário.
Reajuste
Baseados em consulta realizada pelos sindicatos de todo o país, os bancários aprovaram a reivindicação de 11% como índice de reajuste salarial. O índice de 11% é composto por aumento real de 5%, além de 5,71% de reposição da inflação projetada para o período entre 1º de setembro de 2009 e 31 de agosto de 2010.
O aumento real nos salários conquistado pelos bancários nos últimos seis anos consecutivos tem valorizado o poder de compra dos trabalhadores.
PLR
A categoria vai batalhar para que os banqueiros paguem três salários mais R$ 4 mil a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A luta dos bancários por uma PLR mais justa já rendeu alguns avanços. Apesar das conquistas, é preciso um novo modelo que torne a participação ainda mais justa e sem o desconto dos programas próprios de remuneração.
Para torná-la mais abrangente, está sendo reivindicado que os empregados dispensados sem justa causa ou que pedirem demissão tenham direito a 1/12
do salário por mês trabalhado ou a fração superior a 15 dias.
Piso do Dieese
Insatisfeitos com o atual piso, os bancários querem a valorização dos salários de ingresso na categoria. Ficou decidido que o parâmetro a ser utilizado pelos trabalhadores é o piso salarial de escriturário baseado no salário mínimo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de R$ 2.157. A medida, além de promover reajustes nos planos de carreiras existentes na empresa, também valoriza os novos trabalhadores das instituições financeiras.
Piso salarial:
Portaria R$ 1.510
Escriturário R$ 2.157
Caixa R$ 2.913
1º Comissionado R$ 3.641
1º Gerente R$ 4.855
Metas abusivas
Uma das maiores vilãs dos bancários, as metas abusivas são responsáveis pela maioria dos casos de assédio moral. Nesse sentido, a categoria reivindica a participação de todos os trabalhadores na estipulação das metas e seus mecanismos de aferição, estabelecendo-se que as mesmas serão obrigatoriamente de caráter coletivo e definidas por departamentos/agências. Além disso, deverá levar em consideração o porte da unidade (departamento/agência), a região de localização, o número de empregados, a carteira de clientes, o perfil econômico local, a abordagem e o tempo de execução das tarefas. E ainda, que as metas serão adequadas e reduzidas proporcionalmente nas hipóteses de afastamentos, licenças, férias, ausência. Já os caixas das agências não serão submetidos às metas.
Combate ao assédio moral
O combate ao assédio moral – considerado um dos principais focos do adoecimento da categoria – foi um dos assuntos mais citados durante a 12ª Conferência Nacional dos Bancários. Como proposta para resolver o problema, foi aprovada para integrar a pauta de reivindicações a implantação de programa de orientação e prevenção, com o acompanhamento das entidades sindicais.
Entre as formas de coibir a prática está a criação de mecanismos que possibilitem a denúncia, garantia e preservação do denunciante, prazo para apuração e solução dos problemas.
Segurança bancária
A falta de segurança nas agências bancárias é um dos problemas que mais aterrorizam os trabalhadores e clientes. Para atenuar a insegurança que afeta a categoria, os delegados da conferência aprovaram como propostas: assistência médica e psicológica, além de estabilidade provisória aos bancários vítimas de assaltos, sequestros ou extorsões.
Os bancários também querem a ampliação dos equipamentos de segurança nas agências, adicional de risco de vida de 30% para funcionários de agências, postos e tesouraria, proibição de transporte de valores e da guarda das chaves dos cofres pelos bancários.
Defesa do emprego
Novas contratações, fim das terceirizações, garantia de emprego inclusive durante os processos de fusão, luta pela ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que proíbe dispensas imotivadas, acabar com as demissões por justa causa em função de endividamento, respeito à jornada de trabalho.
Essas foram algumas das prioridades definidas pelos trabalhadores para garantir o emprego dos bancários. A elevação dos pisos de ingresso também servirá para combater a rotatividade na categoria, pois os novos contratados estão ocupando os salários dos trabalhadores desligados com salários cerca de 40% menores.
Sistema financeiro
Os bancários querem a regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal que regra o Sistema Financeiro Nacional, obrigando os bancos a exercerem seu papel social e promover o desenvolvimento do país.
Outros pontos em relação ao SFN são a regulação da remuneração dos executivos e a democratização e ampliação do Conselho Monetário Nacional (CMN) de forma que os trabalhadores, assim como outros setores da sociedade, participem da definição de itens fundamentais para a economia do país e que hoje são decisões tomadas somente pelos técnicos do Banco Central, a exemplo da taxa de juros.
A Conferência discutiu também a importância dos bancos públicos e se posicionaram contrários às privatizações.
Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo


























































































































































