O resultado da campanha salarial deste ano não foi o que a categoria almejava. Nem o que os bancos, em razão dos altos lucros, tinham condições de conceder.
O saldo foi o possível diante da conjuntura e da capacidade de pressão dos bancários. E raciocinando friamente depois que a poeira da batalha abaixou, é preciso reconhecer que a campanha trouxe avanços importantes para a categoria.
Em primeiro lugar, não se pode desconsiderar que os bancários enfrentaram o sistema financeiro nacional, o mais organizado e poderoso setor da economia, que a cada ano usa toda a sua força para reduzir as conquistas históricas da categoria. Fizeram isso na década passada, retirando anuênio, flexibilizando direitos, terceirizando, concedendo reajustes abaixo da inflação em troca de abonos o que a médio prazo rebaixa o salário dos bancários.
Invertemos a lógica da PLR
E até a quinta rodada de negociações deste ano, os bancos se recusavam a conceder reajuste, se escudando na inflação baixa e propondo um abono a ser compensado no futuro. Com a mobilização, as paralisações e a greve de 24 horas, a Fenaban apresentou a proposta de 2% e insistia na mesma PLR do ano passado.
Com a deflagração da greve geral, os bancos elevaram o índice para 2,85% (igual à inflação) e depois para 3,5% aumento real pelo terceiro ano consecutivo. Pode parecer irrelevante, mas não é, nessa nova realidade brasileira de inflação baixa, avalia Jacy Afonso, presidente do Sindicato. Nos últimos três anos, tivemos 19,04% de reajuste contra uma inflação de 15,17%. Há muito tempo os bancários não conquistavam aumento real dessa ordem.
Outra conquista importante foi com relação à PLR. Até 2003, os bancários do BB e da Caixa praticamente não tinham participação nos lucros e resultados. Os bancos impunham unilateralmente um valor irrisório para a quase totalidade do funcionalismo, e ainda por cima vinculado a cumprimento de metas.
Nesta campanha, a PLR dos dois bancos públicos foi maior que a da Fenaban. Mais que isso, invertemos a lógica da PLR em todos os bancos, públicos e privados, acrescenta Jacy Afonso. Antes, o valor a ser distribuído era igual em todos eles, independente do tamanho do lucro. Conseguimos estabelecer uma ligação direta entre lucro e distribuição da PLR.
Então, se ficássemos mais tempo em greve conquistaríamos um reajuste melhor? Não necessariamente.
A avaliação que a diretoria do Sindicato e maioria dos delegados sindicais faziam era que, com 13 dias de greve, a categoria dava demonstração de cansaço e a volta ao trabalho começava a crescer, em todos os bancos. E não existe derrota maior do que uma greve acabar por inanição, diz Enilson da Silva, secretário-geral do Sindicato. É por isso que, numa greve, tão importante quanto saber a hora de começar é perceber o momento certo de encerrá-la. Esse é o papel da direção. E foi isso que a categoria entendeu, decidindo por ampla maioria aceitar os acordos e voltar ao trabalho, com um aumento e uma PLR muito melhor.


























































































































































