CUT
Após participar nessa quarta-feira (16) de uma mesa com o tema “Trabalhadoras e trabalho verde: emprego, equidade e igualdade”, na 15.ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15) em Copenhague, Dinamarca, a secretária do meio-ambiente da CUT, Carmen Foro, fez um balanço do evento.
Para ela, o encontro que reúne governos de 192 países para discutir a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa, peca ao tirar a sociedade civil do espaço de negociação. Apesar disso, ela ressaltou a forte presença do movimento sindical e de ONGs brasileiras nos debates paralelos da COP 15. Os encontros ocorrem no Portal Mundo do Trabalho, na sede da central sindical dinamarquesa LO, onde a CUT e outras entidades representantes dos movimentos sociais se reúnem para definir estratégias para pressionar as lideranças mundiais a incluírem a transição justa e empregos decentes no apontamento final da conferência.
A secretária mostrou ainda preocupação com a posição dos chefes de Estado. “Em relação aos governos, a negociação não é tão tranquila e o mundo pode perder uma importante chance para pensar o crescimento sustentável. Não sei se a oportunidade de construir um acordo global está perdida, mas certamente a COP 15 não produzirá o que gostaríamos que produzisse, um pacto avançado, significativo, para que todos saíssem daqui com responsabilidades nacionais de implementação de ações concretas com vistas para garantir que o aquecimento global não siga sendo muito grande e que possamos mudar a rota para o desenvolvimento sustentável”, disse em entrevista ao portal da Confederação Sindical Internacional (CSI) (clique aqui para assistir).
Carmen cobrou ainda a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que vinha fazendo propaganda do agronegócio brasileiro em Copenhagen e questionou o motivo da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), da qual a parlamentar é presidente, se posicionar contra a PEC do trabalho escravo e à atualização dos índices de produtividade.
Além de Carmen Foro, o presidente, Artur Henrique, e o secretário de relações internacionais, João Felício, que participou de uma mesa com o eixo “Justiça Social e climática: criando uma economia para os povos e o meio-ambiente no Cone Sul”, integram a delegação custista.
Transição justa e emprego decente na declaração final
Durante a cerimônia de abertura do segmento de alto escalão, Connie Hedegaard, na ocasião ainda presidente da COP 15 – ela renunciou nesta quarta e foi substituída pelo primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, afirmou que o conceito chave dos próximos dias seria fazer concessões, que bilhões de pessoas pelo mundo inteiro esperavam um posicionamento de seus líderes e que os países não deveriam se responsabilizar apenas pelo que decidissem mas também pelas ações que deixassem de tomar.
Depois da primeira semana de negociações, os termos “transição justa” e “emprego decente” permanecem no texto rascunho final de Visão Compartilhada, que será apresentado aos ministros e chefes de estado para serem negociados. As discussões do segmento de alto escalão da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas começaram no dia 15.
Sobre a participação da CUT na COP 15, Artur voltou a destacar que os trabalhadores cobraram da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, em Copenhague, uma postura firma do Brasil para garantir que o tema da transição justa para uma economia de baixo carbono e o tema da geração de trabalho decente façam parte do texto final da conferência. “A nossa expectativa é que os representantes das centenas de nações aqui presentes tenham como único objetivo assumir o compromisso de redução das emissões de CO2, dando uma esperança às futuras gerações de um desenvolvimento sustentável e que garanta a inclusão social, distribuição de renda, alimentos e energia”, ressaltou em relação à declaração final do evento.


























































































































































