Deputada Erika Kokay divulga nota de esclarecimento

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Desde o último dia 24 de setembro, o Jornal de Brasília vem publicando série de denúncias contra a minha pessoa, identificadas como Caso Erika Kokay. As referidas matérias começaram a ser publicadas logo após, motivada por graves denúncias veiculadas pela revista Época de supostas irregularidades envolvendo o secretário de Governo do DF, José Humberto Pires de Araújo, eu anunciar no Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal que a Bancada do PT na Casa ingressaria com representação no Ministério Público para que seja movida uma ação de improbidade administrativa contra o secretário pelos indícios de uso do cargo público em benefício de terceiros e ainda informar que convocaríamos o secretário à Câmara Legislativa para prestar esclarecimentos sobre o caso.

De acordo com a reportagem da revista Época, em 2006, José Humberto vendeu um terreno na Cidade do Automóvel a uma cooperativa de imóveis chamada Coohabex por R$ 426 mil. Dois anos depois, o GDF comprou o mesmo terreno por R$ 4,2 milhões – uma espetacular valorização de 1.000%. A revista destaca que a Coohabex é uma empresa ligada a Marcos Lombardi, diretor-superintendente do Jornal de Brasília. Lombardi e José Humberto são réus em um processo judicial por parcelamento irregular do solo.

Ao tomar essas medidas, como líder da Bancada do Partido dos Trabalhadores na referida Casa de Leis, agi em defesa do interesse público, exercendo uma das funções precípuas do Poder Legislativo, que é o de fiscalizar o Poder Executivo. Por contrariar os interesses das autoridades locais e do senhor Marcos Lombardi, este Jornal de Brasília deu início a uma estratégia para intimidar, perseguir e cercear minha atuação parlamentar, passando a publicar série de reportagens que reproduzem o teor de denúncia da qual fui vítima em 2007.

Tal série tem o nítido objetivo de desqualificar a minha imagem, uma vez que não existe qualquer fato novo no inquérito, a não ser os depoimentos em meu favor – que sequer foram citados nas reportagens. Informações como essa podem ser sonegadas por medo, mas também podem ser sonegadas para atender aos interesses políticos, econômicos, individuais e corporativos, entre outros, de pessoas ou de grupos que detenham parcelas consideráveis de poder e que pretendam privilegiar esses interesses em detrimento do interesse público, utilizando, para isso, os serviços de uma imprensa que deveria ser imparcial.

O uso do jornal para perseguição pessoal à parlamentar, com matérias e manchetes tendenciosas que sequer são assinadas e sem ao menos ouvir a principal parte citada, além do fato de não haver no inquérito instaurado desde 2007 apuração de qualquer envolvimento meu com a movimentação da conta objeto da denúncia, caracterizam um abuso da liberdade de imprensa, uma interferência indevida no funcionamento do Poder Legislativo e um inaceitável atentado à democracia.

A liberdade de imprensa existe para assegurar informações sérias e relevantes aos cidadãos, para assegurar a transparência dos atos da administração pública, nunca para proteger interesses escusos, espúrios e inconfessáveis dos donos de jornais ou de quem pagar mais. As empresas jornalísticas não podem visar, apenas, os interesses de seus dirigentes, pois deveriam desempenhar importantíssima função institucional, de defesa das instituições democráticas, do interesse público e, acima de tudo, das nossas liberdades.

Erika Kokay
Deputada Distrital

Apuração falha e tendenciosa

Apenas no dia 28 de setembro, quatro dias depois de iniciar a publicação das matérias, o Jornal de Brasília resolveu apurar melhor e ouvir o outro lado – no caso, a deputada Erika Kokay. As perguntas, apresentadas por e-mail, eram tendenciosas e intempestivas. E o pior é que o conteúdo dos questionamentos deixa claro que o jornal começou a publicar as reportagens sem conhecer o teor da denúncia, sem apurar devidamente a continuidade do processo e sem considerar os depoimentos colhidos desde então – todos a favor da deputada.

Ainda assim, a parlamentar não terá nenhum problema em respondê-las, desde que seja garantida a publicação, na íntegra, com o mesmo destaque (nas páginas e capas desse jornal) do direito de resposta acima, conforme garantido no artigo 5º, inciso V, da Constituição Federal. Cabe ainda informar que, uma vez que a série de matérias publicadas pelo Jornal de Brasília atentam contra a democracia, a verdade dos fatos, os direitos individuais e a honra da deputada, estão sendo adotadas todas as medidas legais e judiciais cabíveis, pois é injustificável utilizar a imprensa para perseguir pessoas e desqualificar a imagem de qualquer cidadão ou cidadã.

Portanto, ao contrário do que publicou o jornal na edição do dia 1º de outubro, nenhum questionamento ficou sem resposta.