Discussões sobre Cassi não avançam

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Não houve avanços significativos na rodada de negociação que a Comissão de Empresa dos Funcionários manteve com o Banco do Brasil nesta quinta-feira 24 para discutir exclusivamente as questões da Cassi. O banco alterou apenas superficialmente alguns itens de sua proposta inicial, consideradas insuficientes pela Comissão de Empresa.

Nova rodada de negociação foi marcada para a sexta-feira 1º de setembro.

“As negociações estão muito devagar, o banco nos trouxe algumas propostas, mas elas são muito tímidas. Não são suficientes para resolver os problemas estruturais da Cassi, que precisam de soluções urgentes”, avalia Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa.

Atendendo tardiamente cláusula do acordo da campanha salarial do ano passado, o BB fez em maio uma proposta com o propósito de solucionar o déficit crônico do Plano de Associados, que envolvem mudanças estatutárias. A partir das diretrizes traçadas pelo Congresso Nacional dos Funcionários do BB, realizado dia 28 de julho, e de discussões com os gestores eleitos da Cassi, a Comissão de Empresa apresentou uma contraproposta no dia 17 de agosto.

Propostas insuficientes

O BB não aceitou cumprir o estatuto da Cassi que determina que a contribuição patronal no plano seja equivalente a 1,5 vez a do funcionário, o que elevaria a participação do banco para 4,5% do valor do salário dos funcionários pós-98. O BB que impor a paridade a esse segmento, que aumentaria a contribuição dos bancários de 3% para 3,75%.

O BB concordou com as alterações estatutárias propostas pela Comissão de Empresa, mas insiste em fazer as eleições da Cassi de quatro em quatro anos, em vez de a cada dois anos, como é hoje.

O banco também aumentou a proposta de investimento de R$ 120 milhões para R$ 200 milhões para ser utilizado exclusivamente nos serviços próprios. “Este aumento foi positivo, mas o valor ainda está muito aquém do que o banco deve para a Cassi. Precisamos aumentar o investimento”, avalia Milton Rezende, vice-presidente da Contraf-CUT.

A diretoria do banco também propôs a redução da co-participação de 20% para 15% em alguns tipos de consulta, mas a Comissão de Empresa rejeitou porque, seguindo as diretrizes do Congresso dos Funcionários, não aceita o princípio da co-participação.

Em relação aos dependentes indiretos, responsáveis por um déficit superior a R$ 10 milhões somente no ano passado, a discussão também não avançou. O BB aceita assumir a responsabilidade por essas despesas apenas daqui por diante. “E os déficits do passado, quem paga?”, indaga Eduardo Araújo, diretor do Sindicato e da Contraf/CUT.

Plano Odontológico

O BB concorda em discutir a implantação do plano odontológico, mas apenas na mesa de negociações específicas da campanha salarial. E a Comissão de Empresa quer resolver o assunto nas discussões exclusivas sobre a Cassi.

Antes da nova rodada de negociações sobre a Caixa de Assistência, a Comissão de Empresa e o BB agendaram um encontro no dia 31 para discutir as reivindicações específicas da campanha salarial. A data ainda precisa ser confirmada, mas a idéia é negociar um dia antes da mesa da Cassi.

Veja no quadro a proposta do banco para a Cassi, a contraproposta da Comissão de Empresa e as alterações sugeridas pelo BB.

Pendências

Primeira proposta do BB

Contraproposta da Comissão de Empresa

Segunda proposta do BB

Aporte extraordinário de recursos

 

R$ 30 milhões por ano, durante 4 anos, para aplicação exclusivamente nos serviços próprios da Cassi

 

Para quitar dívida, BB deve investir R$ 400 milhões, sendo a metade nos serviços próprios e a outra metade para recompor as reservas do Plano de Associados

 

Aumenta para R$ 50 milhões por ano, durante 4 anos, o valor para aplicação exclusivamente nos serviços próprios da Cassi

Dependentes indiretos

 

Assume os custos a partir de agora, até a extinção do segmento (valor anual estimado em R$ 11 milhões)

 

BB assume as despesas anuais desse segmento até sua extinção, e ressarce a Cassi do déficit de R$ 74,8 milhões causado por essa população de 2001 a 2005

 

Manteve a primeira proposta

Contribuição patronal para os novos funcionários

 

Banco eleva de 3,00% para 3,75% tanto a sua contribuição como a contribuição dos funcionários pós 98

 

BB eleva sua contribuição para 4,5% e os novos continuam contribuindo com 3%. Além disso, banco deve quitar o passivo dessa diferença de 1,5% desde 98

 

Manteve a primeira proposta

Co-participação

 

Associados passam a pagar 20% de co-participação em exames de rotina (radiológico, laboratorial etc.), com valor limitado a 1/12 do salário

 

Não aceita a co-participação dos associados

 

Associados passam a pagar 15% de co-participação em exames de rotina (radiológico, laboratorial etc.), com valor limitado a 1/12 do salário

 

Reforma do estatuto

 

Formular novo estatuto para a Cassi, de forma a extinguir a Assembléia de Representantes, realizar eleições de diretores e conselheiros apenas de 4 em 4 anos, definir claramente as funções e atribuições de cada diretoria e participação paritária no Conselho Fiscal (onde hoje só há representantes dos associados)

Aceita extinguir a Assembléia de Representantes, estipular definições claras das funções e atribuições das diretorias e instituir a paridade no Conselho Fiscal (desde que a presidência fique com a representação dos associados). Mas as eleições devem ser realizadas de 2 em 2 anos, como hoje

O banco concorda com as alterações estatutárias, mas defende a eleição da Caixa de Assistência  de 4 em 4 anos e não de 2 em 2, como acontece hoje

Plano Odontológico

 

Não contempla

 

Incluir cobertura odontológica no Plano de Associados

O BB se propôs a discutir a questão, mas dentro da minuta específica