Economista alerta para o risco de endividamento elevar inadimplência

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Monitor Mercantil

Enquanto o crédito manteve o dinamismo do comércio de bens duráveis em 2008 (e o lucro dos bancos), mesmo com o agravamento da crise mundial, os reajustes do salário mínimo permitiram que a lucratividade dos supermercados – vendedores de bens não-duráveis – respondessem pela maior parte da massa salarial paga pelo setor comercial.

Os supermercados, porém, estão entre os ramos empresariais que pagam os piores salários, segundo a Pesquisa Anual de Comércio (PAC), do IBGE, referente a 2008.

Ponderando que a relação crédito/PIB ainda é muito baixa no Brasil, se comparada às economias mais avançadas, o economista Jardel Leal, do Dieese, lembra que o endividamento compromete a renda futura.

"É uma questão que precisa ser discutida. A população precisa ser orientada sobre a tomada de crédito, que tem a inadimplência como limite", disse, ressalvando que a baixa renda apresenta os menores índices de inadimplência.

"O mercado formal tem melhorado, os empregos criados têm algum grau de permanência. Aí, as pessoas passam a se valer do crédito, principalmente os que têm maior estabilidade, como funcionários públicos e aposentados. As empresas perceberam que isso dá sensação de maior poder aquisitivo".
Em 2008, os supermercados pagaram R$ 8,3 bilhões em salários, ou 10% de toda a remuneração do comércio. No entanto, o salário médio no setor foi de R$ 740, sem substancial elevação em relação ao ano anterior.

"O piso salarial dos comerciários tende a ser muito baixo. Depende da capacidade de articulação e poder de barganha, que costumam ser baixos, inclusive por causa da alta rotatividade da mão-de-obra, daí o descompasso entre o lucro, a remuneração e as condições de trabalho.