Verdadeiras máquinas de gerar lucros, os bancos continuam negligenciando o tema emprego. Ao invés de criar mais vagas, as instituições financeiras, amparadas na prática da redução de custos para incrementar a rentabilidade, adotaram um modelo de gestão que prioriza a rotatividade do seu corpo funcional. E os resultados dessa equivocada política não poderiam ser piores: em um ano e meio, os bancos desligaram 48.295 funcionários, número que representa mais de 10% da categoria.
Verdadeiras máquinas de gerar lucros, os bancos continuam negligenciando o tema emprego. Ao invés de criar mais vagas, as instituições financeiras, amparadas na prática da redução de custos para incrementar a rentabilidade, adotaram um modelo de gestão que prioriza a rotatividade do seu corpo funcional. E os resultados dessa equivocada política não poderiam ser piores: em um ano e meio, os bancos desligaram 48.295 funcionários, número que representa mais de 10% da categoria.
Para pressionar os bancos a contratar mais funcionários e coibir a prática da rotatividade, o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), inicia nesta quarta a terceira rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) sobre o tema emprego, que prossegue na quinta-feira 9.
Os bancários querem proteção contra demissões imotivadas, mais contratações, melhores condições de trabalho, igualdade na remuneração, reversão das terceirizações e fim dos correspondentes bancários mediante substituição por agências e postos de atendimento.
“Negociar essas reivindicações com a Fenaban é importante para tentar frear o avanço da rotatividade e, consequentemente, do assédio moral, por exemplo, fazendo com que os bancos repensem a continuidade das metas abusivas e quase sempre inatingíveis impostas por gestões equivocadas”, explica Rodrigo Britto, presidente do Sindicato e integrante do Comando Nacional dos Bancários.
Massa salarial
Grande parte dos 10% dos bancários desligados ou foi dispensada por não cumprir metas ou pediu demissão por não suportar o assédio moral e as precárias condições de trabalho, situações que têm causado estresse e adoecimento aos trabalhadores.
Essa imensa rotatividade reduziu a massa salarial da categoria e aumentou ainda mais os lucros dos bancos. “Exigimos respeito das instituições financeiras com o emprego. O velho discurso de que os trabalhadores são o principal patrimônio dos bancos precisa se tornar realidade”, critica Eduardo Araújo, diretor do Sindicato.
Só para ter uma ideia da dimensão da irresponsabilidade dos bancos, somente no primeiro semestre deste ano eles lucraram R$ 24,7 bilhões, enquanto, na contramão, criaram apenas 9.048 vagas. A rotatividade também atingiu o bolso dos bancários. A remuneração média dos admitidos nos primeiros seis meses de 2010 foi 38,04% inferior à dos desligados. E as mulheres continuam recebendo salários inferiores aos dos homens.
Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília, com informações da Contraf-CUT


























































































































































