Governo cria nova modalidade de investimento

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Agência Estado – Jornal do Comércio

O governo decidiu criar uma nova modalidade de investimento de longo prazo a ser oferecida pelos bancos privados: as Letras Financeiras. O objetivo é captar recursos para financiar os investimentos das empresas. "Nós queremos que o setor financeiro privado também participe do financiamento do investimento. Os bancos oferecerão um título e as pessoas poderão comprar. É uma aplicação de longo prazo e os bancos reverterão isso em financiamento de longo prazo", explicou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Os novos títulos terão suas características definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na próxima semana. O ministro argumentou que esta será uma fonte de captação de recursos "bastante conveniente" porque não estarão sujeitos ao depósito compulsório que o Banco Central exige dos bancos. Para manter a liquidez sob controle, as instituições são obrigadas a deixar no BC parte do que recebem por meio de depósitos à vista e aplicações financeiras. Mantega disse que hoje o sistema bancário toma recursos no curto prazo e, por isso, têm dificuldade para oferecer financiamento acima de dois anos.

Os novos papéis poderão ter prazo de resgate de 5 a 8 anos, segundo o ministro. Isso deve permitir também que os bancos cobrem juros mais baixos nos empréstimos. O ministro acredita que as emissões de Letras Financeiras poderão atingir entre R$ 10 bilhões e R$ 30 bilhões. Ele acredita que os papéis serão uma opção de investimento, por exemplo, para os fundos de pensão. Ele previu que as emissões de Letras Financeiras ajudarão a desenvolver o mercado de debêntures no Brasil. "O próprio BNDES vai criar uma linha de compra de debêntures, que ajudará a dar liquidez a este mercado", afirmou. Mantega também aposta no desenvolvimento de um mercado secundário para a negociação destes papéis. "O BNDES vai agilizar o mercado secundário de debêntures". Ele afirmou que a medida não terá impacto no câmbio.