| Lançado há três meses, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) promete ser a menina dos olhos |
do governo federal neste segundo mandato.
Da esq. para a dir.: Antônio Prado, do BNDES, o diretor da Contraf/CUT Carlos Alberto e o professor Cézar Medeiros
Lançado há três meses, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) promete ser a menina dos olhos do governo federal neste segundo mandato. As ações do programa terão entre as prioridades maior investimento em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico, como os de infra-estrutura básica, por exemplo. O cenário para o Brasil crescer com distribuição de riqueza nunca esteve tão favorável.
A tese é dos economistas Cézar Medeiros e Antônio Prado, que discutiram no Brasília Debate desta terça-feira 24 o papel dos bancos públicos num cenário em que a economia brasileira dá sinais de estabilidade e ensaia fôlego. Realizado numa parceria com a Fundação Perseu Abramo, o evento marcou ainda o lançamento na capital do livro de Medeiros A Dualidade Contemporânea no Brasil-Estratégias para financiar um novo ciclo virtuoso e duradouro de crescimento.
O que o autor propôs ontem no debate é o que sustenta sua linha de argumentação no decorrer do livro: faltam mecanismos e estratégias ao governo para a correta aplicação dos recursos financeiros a ponto de alavancar o país ao patamar das economias potencialmente competitivas. O Brasil dispõe de um montante de recursos ociosos, como os de fundo de pensão, de investimentos, os de multinacionais e mesmo de empresas nacionais. De outro lado, desde 2003, o governo vem contemplando setores que precisam de infra-estrutura, disse Medeiros. O Brasil carece, portanto, é de esforço político para avançar tecnologicamente, apontou ele.
Para o economista, o Estado pode financiar este desenvolvimento hoje sem precisar recorrer à captação de recursos externos, como fizera no passado. Isso garantiria, acrescentou, suporte para o crescimento com inclusão social, gerando um ciclo vicioso pelo qual a guinada da economia promoveria o acesso da população ao consumo, o que, por sua vez, promoveria a expansão do mercado interno.
Medeiros também criticou a política de juros do Banco Central, que classificou de ortodoxa. A adoção por parte do Banco Central de uma taxa básica de juros mais baixa daria condições ao Brasil de expandir sua economia, alfinetou. E sugeriu a interligação entre as estatais, através de uma espécie de holding, para a captação de dividendos como alternativa para mudança de roteiro da política do BC. Com a diminuição da dívida pública, obviamente seria reduzido o endividamento do governo, proporcionando a redução da taxa de juros.
O Estado como gestor
Apontando na mesma direção, o chefe do Departamento de Relações com o Governo do BNDES e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antônio Prado, concorda que há recursos públicos ociosos e que ao governo falta mobilização para o financiamento dos investimentos.
Dados do IBGE apresentados por ele apontam que a União aplicou somente 16% do que poderia investir. Vivemos o paradoxo de possuir fundos, mas que estão sendo esterelizados dentro do sistema financeiro, constatou, também tecendo criticas à política cambial do BC. A Selic é uma taxa ainda muito elevada. E a questão é: se ela não cai em ritmo adequado, arcamos com fenômenos que afetam negativamente a economia, como a taxa de câmbio. Alguns setores investem tendo como referência a taxa de câmbio, já que ela afeta a rentabilidade de diversos segmentos industriais.
Para ele, a gestão da política cambial e monetária pode sinalizar situações que impedem a decisão de investimento pelo governo. Em 2004, por exemplo, o BC decidiu interromper o crescimento dado o cenário de possível inflação que se avizinhava, intimidando a aplicação de recursos dos empresários. A política cambial precisa dar uma chance aos investidores.
Outro ponto levantado pelo professor como entrave à expansão da economia diz respeito à questão de onde investir o capital excedente. Ele afirmou que o melhor caminho seria investir em infra-estrutura porque geraria produtividade e aumentaria a oferta de empregos. E neste caso o papel do Estado através das instituições adequadas é fundamental para um crescimento econômico sustentável com distribuição de renda, arrematou.



























































































































































