Greve chega forte ao 11º dia cobrando proposta decente. Bancários vão intensificar mobilização

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A greve nacional da categoria, que já é a maior dos últimos 20 anos, chegou nesta quinta-feira 6 ao seu décimo dia mantendo a forte pressão sobre os bancos para que retomem as negociações e apresentem uma nova proposta à categoria, com aumento real maior, valorização do piso, plano de cargos e salários para todos, mais contratações, respeito à saúde e mais segurança nas agências.

 

Segundo balanço da Contraf-CUT, com base nos números repassados por sindicatos de todo o país, o movimento cresceu e paralisou 8.758 agências, além de centros administrativos, batendo o pico de 2010, que foi de 8.278 locais parados. Os números demonstram a indignação da categoria com o silêncio da Fenaban, que ignorou a carta enviada pela Contraf-CUT na terça-feira (4) cobrando a retomada do processo negocial.

 

Em Brasília, o movimento segue forte, e entra nesta sexta aos 11 dias atingindo agências de bancos públicos e privados e grandes concentrações, como os prédios administrativos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, não obstante os interditos proibitórios, a ação da polícia e a pressão de gestores com ameaças de retaliação.

 

Atividades

 

Na próxima semana, o Sindicato realizará uma série de atividades em bancos públicos e privados para pressionar ainda mais os banqueiros e também para chamar a atenção da população. Em assembleia realizada na Praça do Cebolão nesta quinta-feira, os bancários aprovaram a agenda dos atos que serão realizados e, sem nova proposta para apreciação, mantiveram a greve por tempo indeterminado.

A postura do governo de orientar as empresas a não oferecerem aumento real foi criticada pelo presidente do Sindicato, Rodrigo Britto, durante a assembleia. “O governo tem agido de forma totalmente equivocada. Não podemos aceitar esse discurso de que aumento real de salário vai causar aumento na inflação. O correto é colocar dinheiro no bolso de quem faz o país crescer, e não o contrário”, destacou.

 

Nova assembleia ficou marcada para a próxima segunda-feira, às 8h, em frente ao Bradescão, no Setor Comercial Sul.

 

Bancos podem melhorar proposta

 

Somente no primeiro semestre deste ano, o lucro auferido pelos bancos que operam no Brasil bateu a casa dos R$ 60 bilhões, um montante de dar inveja aos demais setores da economia e que deixa claro que eles têm plenas condições de atender as reivindicações dos trabalhadores.

 

“São bilhões obtidos através do trabalho árduo do conjunto da categoria, que é submetida muitas vezes a pressão desumana pelo cumprimento de metas cada vez mais abusivas e responsáveis, por isso mesmo, pelo grande número de bancários vítimas de doenças ocupacionais”, destaca a secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Fabiana Uehara, lembrando que os bancos também ignoraram na mesa de negociações as demandas relacionadas à área.

 

Fortaleça o movimento

 

O presidente do Sindicato, Rodrigo Britto, reitera que a força da paralisação é proporcional à participação da categoria. “Quanto mais bancários na greve, maior nosso poder de pressão sobre os bancos. O sucesso da greve depende de cada bancário e de cada bancária. A cada dia, mais trabalhadores entendem esse recado, da importância da luta coletiva, e cruzam os braços”, lembra Britto.

 

O que os bancários reivindicam

 

Reajuste Salarial
12,8% (5% de aumento real mais a inflação projetada de 7,5%)

Pisos
Portaria – R$ 1.608,26 – Escritório – R$ 2.297,51 – Caixa – R$ 3.101,64
– 1º Comissionado – R$ 3.905,77 – 1º Gerente – R$ 5.169,40 

 

Vales alimentação e refeição e auxílio-creche/babá
Salário Mínimo Nacional – R$ 545

PCCS – Plano de Cargos, Carreiras e Salários
Para todos os bancários

PLR – Participação nos Lucros e Resultados
Três salários mais R$ 4.500

Auxílio-Educação
Pagamento para graduação e pós

Emprego
Ampliação das contratações; fim da rotatividade; combate às terceirizações; garantia contra dispensas imotivadas (Convenção 158 da OIT) e banco para todos, sem precarização.

 

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