Apesar do insistente discurso da presidente Dilma Rousseff de que a inflação está sob controle e do Banco Central (BC) reiterar que a elevação da taxa básica de juros (Selic) derrubará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), comércio e indústria intensificaram os reajustes das tabelas com base em indicadores próprios e na insegurança em relação aos próximos meses. Essa correção informal de 8% nos valores cresce embalada pela expectativa de alta represada dos preços administrados pelo governo e pela desvalorização do real ante o dólar, que começa a refletir nos alimentos, segundo ressaltou na semana passada o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“A inflação está em queda. Os índices de julho e agosto foram baixos, e a cesta básica ficou mais barata em todas as 18 capitais pesquisadas. Vamos fechar 2013 com a inflação, mais uma vez, dentro da meta, o 10º ano consecutivo em que isso ocorre”, afirmou Dilma na sexta-feira, em rede nacional de rádio e TV. A presidente também ressaltou que o governo está tomando medidas “eficazes” para conter oscilações bruscas do dólar, mas que “há sinais de que o pior já passou”. “Essas oscilações são decorrentes de alterações da política monetária norte-americana e afetam a todos”, analisou.
Mesmo com esse discurso otimista, a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, lembrou que pães e cerveja, entre outros produtos, já exibiram em agosto os efeitos da variação cambial. A alta de 2,68% na farinha de trilho em razão do dólar mais caro foi o principal fermento no custo do pão, por exemplo. Segundo o IBGE, esse empurrão do câmbio está se espalhando pela economia toda, como nos empréstimos tomadas pela indústria. Diante desse cenário, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) decidiu — por unanimidade — na semana passada subir a Selic de 8,5% ao ano para 9%.
Indexação
O receio da autoridade monetária com o avanço de remarcações preventivas ficou explícito na ata do Copom, que mostra como a resistência da inflação tem a ver com a forte oscilação do IPCA desde o segundo semestre do ano passado. “Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a própria dinâmica da inflação”, frisou o documento.
A deterioração das expectativas ocorreu mesmo com o IPCA ter recuado no acumulado de 12 meses, para 6,09%. Nessa medida, o índice oficial voltou a se afastar do teto da meta de 6,5%. Mas se em julho ele subiu só 0,03%, em agosto deu um salto de 0,24%. Analistas avaliam que os empresários ainda têm dúvida quanto a intensidade que a aceleração recente do IPCA terá nos pouco mais de três meses que restam de 2013. Apesar de um estouro da meta não parecer ainda algo factível, as variáveis câmbio e combustíveis alimentam os temores de surpresas nas próximas semanas.
É nesse quadro indefinido que varejo e indústria começaram a negociar as encomendas de estoques para o fim de ano. A queda de braço clássica nesses casos é a produção tentando repassar a alta de custos que sente mais rapidamente e o comércio tentando puxar para baixo os aumentos para não se chocar com os limites do bolso dos consumidores, afetados até pela subida dos juros.
Na TV, a presidente tentou acalmar o mercado também reafirmando o compromisso de manter o equilíbrio fiscal e usar reservas internacionais para estabilizar as flutuações do mercado cambial. “Não vamos descuidar um só instante”, afirmou.
Fonte: Correio Braziliense


























































































































































