Intenção de contratar tem queda

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A desaceleração da economia começa a bater no mercado de trabalho. Sustentada quase exclusivamente pelo setor de serviços, a geração de novos postos dá sinais de esgotamento. Dados da Manpower, consultoria em gestão e contratação de pessoas, revelam que 21% dos empregadores no país esperam ampliar o quadro de pessoal neste primeiro trimestre. A despeito de positivo, o dado é o menor desde 2009, quando a empresa começou a fazer a pesquisa. Frente a 41 países, o Brasil foi a nação onde esse indicador mais recuou comparado a igual período de 2013.

No setor financeiro e imobiliário, a previsão de contratação é classificada pela Manpower como conservadora. A expectativa é de que 7% dos empregadores desses ramos gerem novos postos no primeiro trimestre, o menor percentual desde o quarto trimestre de 2009. O segmento bancário, por exemplo, ainda se ressente da queda dos spreads (diferença entre o que a instituição paga para captar recursos e o que ela cobra para emprestar) no ano passado.

Dados do Banco Central mostram que, pela primeira vez desde 2003, houve recuo no quadro de funcionários do setor em 2013, encerrado com cerca de 5 mil trabalhadores a menos. Ao mesmo tempo, foram abertas aproximadamente 800 agências. “Parte disso é ganho de eficiência. É uma tendência estrutural do sistema, que acontece com todos os setores”, explica o economista Luís Roberto Troster, especialista em bancos.
Regina Camargos, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), avalia que há uma estratégia nas instituições financeiras que privilegia os correspondentes bancários no lugar das agências. Na visão dela, houve também uma desaceleração no crédito impulsionada, ao menos no setor privado, pelas incertezas que rondam o país e o mundo, além do aumento da concorrência. “O sistema financeiro deu início a um novo período de ajuste. Há um somatório de fatores que levam a uma redução dos quadros”, diz.

Para Riccardo Barberis, CEO do ManpowerGroup Brasil, a boa notícia é que, mesmo com a desaceleração, o país ainda está entre os 10 que lideram em intenção aumento de quadros. “Empresas brasileiras exibem notável capacidade de se adaptar. A confiança entre os empregadores permanece positiva e isso ajuda a manter o mercado de trabalho mais ativo”, pondera.

Luís Testa, responsável pela área de estratégia e pesquisa da Catho, um site de emprego, tem uma visão otimista para o ano. “Apesar de a economia não estar crescendo de maneira tão vigorosa como todos gostariam, o mercado de trabalho segue aquecido”, avalia. Ele e outros especialistas identificam no setor de serviços e no varejo os melhores ramos: no primeiro, 23% dos empregadores esperam criar novas oportunidades no primeiro trimestre, no segundo, 8%. O segmento de transporte e serviços públicos também tem projeções otimistas: 16% preveem uma ampliação do quadro de funcionários.

Os especialistas explicam que os setores de comércio e serviços são os que mais empregam no país e que, nos últimos 12 meses, foram os que suportaram o crescimento do mercado. Cerca de dois anos atrás, o ramo imobiliário também fazia parte desse grupo, mas nos últimos meses tem gerado uma quantidade cada vez menor de postos. “Vários projetos públicos não decolaram como deveriam ou estão atrasados”, observa Testa.

Fonte: Correio Braziliense