Os banqueiros ultrapassaram o limite do descaso e da intransigência em relação à greve nacional da categoria bancária. Avançaram para a total irresponsabilidade. E para a completa falta de respeito para com os trabalhadores e, sobretudo, para com a população. Completados nesta segunda-feira 13 dias de greve em todo o país, 21 aqui em Brasília, disseram que não tinham ainda proposta a formalizar.
A Fenaban suspendeu na noite de ontem as negociações que vinha tendo com o Comando Nacional dos Bancários desde a última quinta-feira. O Comando, por sua vez, orientou aos sindicatos de todo o país a não aguardarem por novo pronunciamento dos patrões com agência aberta. O objetivo é fechar tudo o que for possível, principalmente certos bancos que estão dificultando ainda mais as coisas na mesa de negociação.
Se o sentimento entre os trabalhadores já era de indignação frente à má vontade dos patrões, a atitude de saírem a essa altura da mesa de negociação levará sem dúvida ao acirramento da luta e à ampliação da nossa greve, frisa Rodrigo Britto, presidente do Sindicato.
Os representantes patronais foram convocados pelos presidentes dos bancos para reunião às 14h desta terça-feira e só depois desse encontro é que vão dizer se têm ou não nova proposta a oferecer à categoria bancária. Prometeram fazer contato com as representações dos trabalhadores no final da tarde de hoje. Propuseram reunião para as 18h.
Conivências
Que a Fenaban é a grande culpada pela longa e forte greve nacional dos bancários não há a menor dúvida. Mas ela não está sozinha nesse imbróglio. Estão envolvidos também direções de bancos públicos e governo.
É necessário que Banco do Brasil e Caixa busquem interferir objetivamente nas mesas de negociação da Fenaban e, principalmente, apresentem propostas que contemplem as reivindicações específicas de seus empregados.
Aos órgãos governamentais, em especial ao Ministério da Fazenda, compete atuar como facilitadores nas negociações, sem omissões em relação à responsabilidade patronal pelo impasse e ao descaso dos bancos pelo restabelecimento dos serviços à população. Não dá pra admitir postura como a do Banco Central, muito ágil na ajuda a bancos que se deram mal no cassino que acabou em crise financeira e tartaruga na busca de solução para os problemas da sociedade.



























































































































































