Juro menor em títulos dos EUA pressiona taxas de contratos futuros

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Os juros dos títulos do Tesouro americano chegaram aos níveis mais baixos em seis meses, apesar do número acima do esperado no índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês), que sinalizou melhora dos níveis de inflação nos Estados Unidos. Esse movimento acabou exercendo pressão de baixa sobre as taxas dos papéis de Alemanha, Reino Unido, Itália e também do Brasil.

O juro dos Treasuries de dez anos do Tesouro chegou a 2,532% ontem, o menor nível em mais de seis meses. O movimento foi provocado pela expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) anuncie um programa de compra de ativos com modelo similar ao do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) na próxima reunião de política monetária, em 18 de junho.

O banco central da Alemanha, um dos mais resistentes à ideia, estaria agora disposto a apoiar estímulos adicionais para a economia da zona do euro caso as projeções de crescimento e inflação para o bloco enfraqueçam até o mês que vem, segundo o “The Wall Street Journal”.

O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Mark Carney, sinalizou que não há pressa para elevar os juros no Reino Unido e que uma ação não deve acontecer antes de 2015. Hoje, a presidente do Fed, Janet Yellen, fala durante evento em Washington, e espera-se que ela mantenha o discurso de que a economia ainda precisa do apoio do banco central.

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Jason Brady, diretor de renda fixa da Thornburg Investment Management, disse que a ideia de política monetária “ultra frouxa” aumenta a confiança de investidores nos títulos da dívida americana. “A questão é o quão robusto será o crescimento dos Estados Unidos”, afirmou. Ele não descartou a possibilidade de o juro cair a 2,5%.

“Com o juro nesse patamar, tem mais gente tomando risco no mundo, o que afeta os juros por aqui [Brasil]”, afirmou o economista-chefe da Mauá Sekular, Alessandro Del Drago. “Embora os indicadores econômicos americanos estejam vindo mais fortes, a recusa da [Janet] Yellen, que é a dona da bola, em falar nesse assunto leva o mercado a acreditar que o juro continuará inalterado por muito tempo.”

No Brasil, os juros futuros fecharam em queda forte, movidos pelo comportamento dos Treasuries. Os DIs também romperam importantes pisos. O contrato para janeiro/2017 encerrou o dia com taxa de 12,04%, depois de tocar a mínima de 12,02%. O DI janeiro/2015 marcou taxa de 10,98%. A diferença, portanto, é de 1,06 ponto, ante 1,15 ponto na terça-feira.

Para Marco Maciel, economista-chefe do banco Pine, não há explicação razoável para o comportamento dos Treasuries. “Todos os fundamentos são para a alta das taxas”, disse, referindo-se aos recentes dados do mercado de trabalho americano e de inflação. Seja como for, esse movimento determina a queda dos juros no mundo todo.

Internamente, o mercado está consolidando a aposta de que o ciclo de aperto monetário está muito perto do fim. E parece mais inclinado a acreditar que, na reunião de maio, não haverá aumento da Selic.

Fonte: Valor Econômico