A reestruturação contínua do sistema financeiro vem provocando dois movimentos antagônicos simultâneos. Com a crescente automatização e introdução de novos modelos de gestão, os bancos enxugam as dependências, ampliam o auto-atendimento, redirecionam atividades para outras empresas dos conglomerados e impõem metas cada vez mais abusivas o que, junto com os juros e spreads mais altos do mundo e o aumento das tarifas, lhes garantem recordes sucessivos de lucro.
A reestruturação contínua do sistema financeiro vem provocando dois movimentos antagônicos simultâneos. Com a crescente automatização e introdução de novos modelos de gestão, os bancos enxugam as dependências, ampliam o auto-atendimento, redirecionam atividades para outras empresas dos conglomerados e impõem metas cada vez mais abusivas o que, junto com os juros e spreads mais altos do mundo e o aumento das tarifas, lhes garantem recordes sucessivos de lucro.
Do lado dos bancários, essa reestruturação ameaça os empregos, intensifica o ritmo de trabalho e os obriga a um constante aperfeiçoamento profissional, o que aumenta a pressão nas dependências, extrapola a jornada, incentiva o assédio moral e produz impactos substanciais na saúde e nas condições de trabalho.
Esse cenário em transformação foi apresentado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) durante a 8ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro.
Depois das fusões, aquisições e incorporações que marcaram o sistema bancário na década de 90, "os grupos financeiros brasileiros consolidam sua atuação em forma de holdings", segundo o Dieese, com o objetivo de assumir o controle de todas as atividades do setor, de forma a "expandir a eficiência do capital e reduzir o seu custo".
Não existe negociação de metas
As tecnologias gerenciais tornaram as inovações contínuas dentro dos bancos, baseadas na competência e desempenho. O modelo de gestão mais comum é o Balanced Score Card (BSC), que permite, "concomitantemente aos resultados financeiros e econômicos, monitorar os desempenhos dos processos internos e dos empregados, a satisfação dos clientes, como também as inovações e a tecnologia, estabelecendo uma correlação entre a estratégia da organização e as ações do dia-a-dia".
O estudo do Dieese mostra que, ao contrário do discurso das empresas, "não existe negociação de metas, pois sua determinação é estratégica e ocorre em níveis hierárquicos superiores. No máximo, há ajuste nas formas de implementação". Quando essa estratégia é colocada em ação, no entanto, ela "afunila nos trabalhadores", o que significa que "os ganhos de escala e escopo (…) são concretizados pelo trabalho".
A essência desse modelo, baseado em gestão e remuneração por metas, acrescenta o Dieese, "é tornar variável custos fixos".
Muda o perfil dos bancários
As transformações no sistema financeiro, além de reduzirem o quadro de pessoal, também mudaram o perfil da categoria, que hoje é composta em sua grande maioria por caixas e escriturários, com pouco tempo de emprego e um elevado grau de escolaridade.
Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho de 2004, o último disponível, 66,14% dos bancários têm curso superior. As mulheres, que já são 45,53% da categoria, têm escolaridade superior aos homens: 66,95% delas completaram o curso superior, contra 65,49% dos bancários.
Quase três quartos da categoria (74,5%) trabalham nas agências ou postos de atendimento.


























































































































































