Lucros dos bancos apontam cenário positivo para novas conquistas

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Os bancos voltaram a registrar recordes de lucratividade no primeiro trimestre deste ano, segundo o balanço divulgado pelas principais instituições financeiras. Levantamento da subseção do Dieese no Sindicato mostra que, juntos, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, ABN Amro Real e Unibanco contabilizaram expressivo crescimento de 26,8% do lucro líquido, comparado com igual período de 2007. É o maior já registrado para um primeiro trimestre da história do sistema financeiro brasileiro.  

O BB foi o que apresentou o maior crescimento. Com um lucro líquido de R$ 2,3 bilhões, superou em 66,6% o resultado contabilizado no primeiro trimestre de 2007 (R$ 1,4 bi). O Bradesco obteve o segundo maior lucro – R$ 2,1 bi. O lucro do BB rendeu uma rentabilidade média anualizada de 45,3%. Isso significa que, para cada R$ 100,00 de capital próprio aplicado, o banco obteve um retorno de R$ 45,30, afirma o Dieese.

Em média, a carteira de crédito desses bancos expandiu 35,7%. Já as operações de tesouraria (operações com títulos públicos) cresceram 27,6%. O avanço do crédito reside na consolidação de três tendências presentes no setor. Em primeiro lugar, o substancial crescimento dos empréstimos consignados, com sua disseminação entre os empregados regidos pela CLT e os aposentados e pensionistas do INSS. De acordo com o Banco Central, o volume desses empréstimos era de R$ 52,8 bilhões ao final do primeiro trimestre de 2007, subindo para R$ 69,2 bi no último mês de março, ou seja, um aumento de 30,9%.

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“Não é preciso dizer que a fonte dos lucros extraordinários registrados pelos bancos está no trabalho árduo dos bancários, que sofrem com a extrapolação da jornada e a pressão por resultados, obrigados a cumprir metas absurdas, o que se reflete na qualidade do atendimento e serviços prestados à população, que ainda é obrigada a pagar tarifas escorchantes”, denuncia o presidente do Sindicato, Rodrigo Britto. 

A cobrança de tarifas, aliás, é outra fonte expressiva de lucro. Juntos, esses bancos arrecadaram R$ 9,7 bilhões na cobrança de prestação de serviços – um crescimento de 10,8%. Com isso, essas receitas excederam o total das despesas de pessoal dos cinco bancos (R$ 6,3 bilhões), cujo crescimento foi de 12,9%.

Bancos têm condições de atender reivindicações

A pujança registrada pelos bancos somente no primeiro trimestre mostra que este será um ano em que vão superar com folga seus próprios recordes – e que eles têm plenas condições de atender às reivindicações da categoria, que já se prepara para a Campanha Nacional 2008.

"É preciso ficar atento e pressionar. Não se trata de liberalidade nem de benefício concedido gentilmente pelo banco. Trata-se de luta e conquista de uma categoria, e o bancário não deve se esquecer de que sua participação nas campanhas é que faz essa diferença", lembra o presidente do Sindicato.

A participação de todos na construção de uma grande campanha unificada será um dos eixos este ano, reunindo todas as forças políticas que compõem o movimento sindical bancário. Por iniciativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), que reúne 90% da categoria bancária, também estarão do mesmo lado da mesa de negociação Contec, Conlutas, UGT, CTB e Intersindical.

"Queremos realizar uma campanha forte, com todos os bancários juntos, independente do matiz ideológico. Estamos em um momento econômico em que os bancos têm lucros cada vez mais altos. Precisamos pegar o nosso quinhão dessa riqueza e isso só vai acontecer se a categoria atuar com unidade", explicou Rodrigo Britto.