Mapa da Diversidade: participação dos sindicatos é essencial

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A Oficina do Mapa da Diversidade, ocorrida hoje na sede da Contraf-CUT, reuniu representantes da Contraf-CUT e dos sindicatos, Febraban, Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Diversidades (Ceert) e outras entidades para discutir e avaliar o processo. "É importante que os dirigentes sindicais estejam engajados nesse processo. É preciso multiplicar essa oficina para que todos acompanhem de perto a aplicação do questionário do Mapa da Diversidade e tenhamos o resultado mais fiel possível", afirma Arlene Montanari, secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT. A diretora do Sindicato Mirian Fochi representou a entidade no evento.

Mario Sérgio Vasconcelos, coordenador do projeto de valorização da diversidade da Febraban, fez uma exposição sobre o formato do questionário que será aplicado aos bancários. Para ele a desigualdade não é problema de um setor, mas algo que deve ser enfrentado pelo país. "Mas essas diferenças não são corrigidas por decreto. Não faz muito tempo, pessoas escondiam membros da família com deficiências. Hoje, estamos trazendo o problema para nosso cotidiano e buscando propostas", analisou. "A diversidade deve ser vista como um valor, uma riqueza do país. Precisamos construir ações que valorizem essa riqueza", defendeu.

Lula Ramires, do grupo Corsa, falou sobre a questão da discriminação pela orientação sexual. Ele lembrou que os valores considerados importantes para cargos de chefia, como agressividade e assertividade, são associados no imaginário à masculinidade, o que exclui mulheres e homossexuais. No caso das lésbicas, o preconceito é duplo. "Elas precisam controlar a agressividade, porque, por serem mulheres, a reação é inversa, é para o lado do ‘você não sabe seu lugar?’", explicou.

Cida Bento, diretora executiva do Ceert falou sobre conceitos importantes na discussão da desigualdade racial. Ela explicou que o termo raça inicialmente referia-se à ascendência. No entanto, a influência da biologia modificou o significado da palavra, que passou a determinar tipos, com características distintas. No caso dos seres humanos, a primeira separação por raças considerava que os grupos de pele mais escura eram os mais atrasados.

No Brasil, um dado determinante é o mito da democracia racial, construído a partir da obra de Gilberto Freyre, que afirmava existir uma convivência harmoniosa e ausência de conflitos entre negros e brancos no Brasil, mesmo durante a escravidão. "Mais tarde, a Unesco realizou um estudo para averiguar essa situação, que envolveu intelectuais como Florestan Fernandes e Octávio Ianni, que demoliu o mito, mostrando a existência de conflitos", disse Cida.

No encerramento, Arlene Montanari lembrou aos sindicalistas a importância do processo. "O sucesso do projeto do Mapa da Diversidade é importante para nós, até porque ele vem corroborar aquilo que a gente sempre alegou: que há diferenças, discriminação, subcontratação nos bancos. A partir dessa pesquisa, poderemos propor ações para corrigir essa situação e alcançar a efetiva igualdade de oportunidades para todos", defendeu.

Fonte: Contraf-CUT