Meirelles assume vaga no conselho do Banco de Compensações Internacionais

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Valor Econômico
Mônica Izaguirre, de Brasília

O Banco Central brasileiro anunciou, ontem, que seu presidente, Henrique Meirelles, passou a integrar o conselho diretor do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

Essa é a primeira vez que um brasileiro faz parte do "board" da instituição, que tem sede em Basileia (Suíça) e é formada pelos bancos centrais de 56 países.

O conselho diretor do BIS tem ao todo 19 membros, entre eles Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, Ben Bernanke, do Fed (Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos), Axel Weber, do Banco Central da Alemanha; e Mervyn King, do Banco Central do Reino Unido. Os países que integram o conselho, além do Brasil, são Alemanha, Bélgica, Canadá, China, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Japão, Suécia e Suíça.

O BIS é conhecido como o banco central dos bancos centrais, por ser depositário de parte das respectivas reservas cambiais. Também funciona como um organismo de cooperação entre os BCs.

Um dos frutos mais importantes dessa cooperação foi a definição e recomendação de normas de supervisão bancária e de exigibilidade de capital dos bancos, conhecidas como Acordo de Basileia. Após a crise financeira de 2008, essas normas estão sendo rediscutidas com objetivo de tornar o sistema financeiro mundial mais resistente.

O fato de o sistema financeiro brasileiro ter resistido melhor à crise do que os sistemas de outros países ajudou o Brasil a conquistar um posto no conselho do BIS. A vaga, no entanto, é pessoal: quando Meirelles sair, nada garante que outro brasileiro a ocupará.

O mandato assumido por Meirelles no BIS é de dois anos. Mas dificilmente será exercido até o fim, pois a expectativa é de que ele deixe o BC brasileiro antes do fim de 2010, para concorrer a algum cargo eletivo.

Em 2009, ele filiou-se ao PMDB, o que deu margem a especulações sobre a possibilidade de ele ser candidato a vice-presidente da República na chapa de Dilma Roussef, ministra da Casa Civil e candidata do presidente Lula.

Fonte: Valor Econômico