Valor Online – Rafael Rosas
RIO – O rendimento médio da população ocupada em 2009 superou o pico da série histórica calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a despeito dos efeitos da crise financeira sobre o mercado de trabalho. Entre março e novembro, o rendimento médio foi de R$ 1.345,18, ou 0,5% superior ao recorde anterior, de R$ 1.338,61, de 2002. Computando os dados desde janeiro – o que exclui 2002 da conta, já que a série começa em março daquele ano -, o rendimento foi de R$ 1.347,83 neste calendário, o que implica 3,4% acima do recorde de R$ 1.303,51, de 2008.
" O rendimento se segurou no meio dessa confusão, principalmente devido ao reajuste do salário mínimo " , frisou Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Em novembro, o rendimento médio foi de R$ 1.353,60, também recorde para meses de novembro, mas ainda abaixo do pico de R$ 1.378,32, de julho de 2002.
Apesar dos bons resultados do rendimento, os efeitos da crise ainda são vistos no mercado de trabalho. Azeredo ressaltou a queda do nível da ocupação, que entre janeiro e novembro registrou a média de 52%, contra 52,4% no ano passado.
Na avaliação do técnico, o patamar – que é o quociente da população ocupada sobre a população em idade ativa, aquela com 10 anos ou mais de idade – mostra o impacto da crise sobre o emprego, embora a taxa de desocupação de 7,4% no mês passado tenha sido a menor para um mês de novembro desde o início da série, em 2002.
" Essa queda não é favorável e mostra uma diferença expressiva em termos de taxa, em um indicador que se mexe pouco " , ressaltou Azeredo. " O maior efeito da crise foi desacelerar o crescimento do mercado de trabalho " , acrescentou.
A taxa de desocupação média no ano ficou em 8,2% entre janeiro e novembro, contra 8% no ano passado. O principal causador da alta foi o mercado de São Paulo, onde a taxa de desemprego pulou de 8,5% nos 11 primeiros meses do ano passado para 9,3% agora, afetado pelo desempenho da indústria, que responde por 20,2% da população ocupada na maior região metropolitana do país.
" A expectativa era de que, em 2009, o crescimento (do mercado de trabalho) fosse continuar acelerado. Em função da crise, creio eu, isso não se confirmou " , destacou Azeredo.


























































































































































