Mortes por acidentes de trabalho atinge 1.600 registros em 2006

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O número de mortes provocadas por acidentes de trabalho ou no trajeto ao emprego atingiu mais de 1.600 registros em 2006, divulgou hoje [29 de abril] o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, na solenidade de homenagem ao Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, em São Paulo.

Segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), cerca de 5.400 trabalhadores se aposentaram por invalidez decorrente de acidentes de trabalho ou doenças profissionais em 2006 (último dado disponível).

No total, foram registrados 503.890 acidentes de trabalho em 2006, segundo dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, elaborado pelo Ministério da Previdência Social, ante 499.680 em 2005.

Para o ministro, o Brasil está longe de uma situação ideal em segurança do trabalho. "Esses dados são uma prova concreta da necessidade de criar iniciativas para prevenção de acidentes de trabalho," disse.

Estimativas da OIT (Organização Internacional do Trabalho) apontam para 6.000 mortes por dia relacionadas a acidentes e doenças do trabalho. A entidade calcula que 270 milhões de acidentes não fatais e 160 milhões de novos registros de doenças profissionais ocorrem por ano. Segundo a OIT, esses acidentes provocam perdas econômicas equivalentes a 4% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial.

Para o presidente da Fundacentro, fundação vinculada ao MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), Jurandir Bóia, a situação é mais grave em setores como construção civil, eletricidade e indústria pesada. Para ele, os acidentes podem ser reduzidos com maior divulgação de informações sobre segurança no trabalho e substituição de equipamentos obsoletos.

O coordenador do Instituto Nacional de Saúde no Trabalho da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Siderlei de Oliveira, disse que os acidentes de trabalho são resultado da "doença da competição". Segundo ele, o aumento das contratações não segue o ritmo do crescimento da produção, sobrecarregando os funcionários. "Vai cair na previdência", conclui.

Durante o evento, Lupi assinou um protocolo de intenções com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e com a Fundacentro para a criação de cursos de capacitação de pessoas para segurança do trabalho. Hoje também assinará um protocolo com o mesmo conteúdo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Fonte: Folha Online