MP vai investigar tarifas de bancos

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O Ministério Público Federal abriu ontem inquérito civil público — número 1.16.000.001444/2007-21 — para apurar a cobrança indevida de tarifas bancárias. A decisão partiu dos procuradores Lauro Pinto Cardoso Neto e Valquíria Quixadá, que acusam o Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável por fixar as normas do sistema financeiro, de omissão e de contrariar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a Constituição brasileira. Serão notificados os três integrantes do CMN, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Eles terão 30 dias para prestar os devidos esclarecimentos ao MP. Também foi notificado o diretor de Fiscalização do BC, Paulo Cavalheiro, que terá de detalhar os ganhos contabilizados pelos 20 maiores bancos do país com tarifas cobradas da clientela.

O Ministério Público Federal abriu ontem inquérito civil público — número 1.16.000.001444/2007-21 — para apurar a cobrança indevida de tarifas bancárias. A decisão partiu dos procuradores Lauro Pinto Cardoso Neto e Valquíria Quixadá, que acusam o Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável por fixar as normas do sistema financeiro, de omissão e de contrariar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a Constituição brasileira. Serão notificados os três integrantes do CMN, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Eles terão 30 dias para prestar os devidos esclarecimentos ao MP. Também foi notificado o diretor de Fiscalização do BC, Paulo Cavalheiro, que terá de detalhar os ganhos contabilizados pelos 20 maiores bancos do país com tarifas cobradas da clientela.

Segundo Valquíria Quixadá, a Procuradoria do Distrito Federal deparou-se com uma série de irregularidades na cobrança de tarifas bancárias e com falhas nas decisões do CMN, que tiveram como objetivo proteger os consumidores, mas, na prática, estão favorecendo as instituições financeiras. Ele citou o caso da Taxa de Abertura de Crédito (TAC), cobrada pelos bancos sob a alegação de que têm de cobrir custos para analisar os cadastros dos tomadores de empréstimos. Na avaliação da procuradora, como a TAC é incorporada ao financiamento e sobre ela incide encargos mensais, “trata-se, meramente, de uma taxa de juros dissimulada, de forma a ludibriar o cliente da taxa real” que está pagando.

Pedágio caro

Os procuradores também questionam a tarifa que os bancos estão cobrando de pessoas que decidem antecipar o pagamento de seus empréstimos. Como, em muitos casos, essa tarifa é punitiva, chegando a ser maior do que o saldo devedor, muitas pessoas preferem continuar pagando o financiamento até o fim, arcando com juros que não seriam obrigadas caso as instituições facilitassem a quitação dos débitos. Para os procuradores, ao criar esse tipo de punição — autorizada pelo CMN —, os bancos contrariam o parágrafo 2º do Artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor, que garante a liquidação antecipada de empréstimos sem nenhum ônus.

São consideradas ainda abusivas pelos procuradores as cobranças de tarifas sobre saques — há bancos que cobram até por retiradas em caixas eletrônicos instalados dentro de suas próprias agências — e sobre depósitos. “Infelizmente, o que temos visto é um consumidor totalmente fragilizado frente aos bancos”, assinalou Valquíria. Até ontem à noite, nenhum dos notificados pelo MP haviam recebido os ofícios sobre o inquérito.

Vicente Nunes – Correio Braziliense