Na luta por emprego decente, greve chega ao nono dia com mais força

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greve_04_10_2011

Consolidada, a greve dos bancários continua intensa e crescendo a cada dia nos 26 estados e no Distrito Federal. Nesta quarta-feira (5), a paralisação chega ao seu nono dia com expectativa de ampliação em todas as dependências. Em Brasília, o movimento, que já conta com adesão de mais de 90% da categoria, deve crescer ainda mais até o final desta semana, mesmo com os interditos proibitórios.

“Nossa categoria tem demonstrado grande coragem ao permanecer de braços cruzados durante nove dias seguidos, apesar da pressão dos bancos para que volte ao trabalho. Essa disposição vai durar até o momento em que os bancos apresentarem uma proposta que contemple nossas reivindicações por emprego decente, valorização do piso, aumento real, mais contratações, segurança bancária, combate ao assédio moral, redução dos juros, igualdade de oportunidades e inclusão bancária sem precarização”, afirma o presidente do Sindicato, Rodrigo Britto.

A intenção dos bancários não é a de prejudicar a população. Os trabalhadores estão em greve porque querem ver atendidas reivindicações que também dizem respeito a todos que utilizam os serviços bancários. “A população merece atendimento e juros decentes. Nossa campanha também quer o fim da discriminação dos clientes com menor poder aquisitivo”, observa o diretor do Sindicato Eduardo Araújo. 

Silêncio dos bancos fortalece greve

Em nota divulgada na terça-feira (4), o Comando Nacional dos Bancários afirma que os bancos estão agindo de forma irresponsável ao permanecerem em silêncio e ignorarem a disposição dos trabalhadores para retomar o processo de negociações. Essa postura das instituições financeiras irá ampliar ainda mais a greve nacional da categoria, diz a nota.

“A culpa da greve é dos bancos. Os bancários querem respeito, dignidade e compromisso com o Brasil e os brasileiros”, frisa o texto, publicado logo após reunião dos representantes dos trabalhadores. Desde segunda-feira (3), o Comando Nacional dos Bancários esteve reunido em São Paulo avaliando a paralisação, o que foi amplamente divulgado pela imprensa.

No documento, foi cobrado o compromisso público assumido pela Fenaban em pronunciamento divulgado no dia 29 de setembro, em que promete “disposição em dar continuidade às negociações com as representações dos bancários”. Entretanto, nenhuma negociação foi marcada até agora, contradizendo o discurso dos bancos para os bancários, os clientes e a sociedade brasileira.

“A melhor resposta que podemos dar ao silêncio dos bancos é fazer greve e pedir aos colegas que ainda insistem em trabalhar que venham se juntar ao nosso movimento. Nos últimos anos, a paralisação tem rendido importantes conquistas aos bancários. Pensem nisso”, lembra Rodrigo Britto.

Assembleia

O Sindicato realiza nova assembleia nesta quinta (6), às 17h, na Praça do Cebolão. Vamos avaliar a greve e os próximos passos do movimento.

Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília