Participação no mercado de trabalho aumenta, mas desigualdades persistem

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Mesmo com o avanço da participação no mercado de trabalho, as mulheres continuam a enfrentar uma situação de desigualdade de oportunidades em relação aos homens. Um estudo elaborado pelo Dieese que será divulgado hoje revela que as taxas de desemprego das mulheres permanecem mais altas que as enfrentadas pelo segmento masculino. Mesmo com o avanço da participação no mercado de trabalho, as mulheres continuam a enfrentar uma situação de desigualdade de oportunidades em relação aos homens. Um estudo elaborado pelo Dieese que será divulgado hoje revela que as taxas de desemprego das mulheres permanecem mais altas que as enfrentadas pelo segmento masculino.

O estudo “As Mulheres e o Salário Mínimo nos mercados de trabalho metropolitanos”, resultado de informações apuradas pelo Sistema Estatístico Pesquisa e Desemprego (Sistema PED) no DF e em cinco regiões metropolitanas, mostra que essas diferenças foram ampliadas na retomada do crescimento econômico dos últimos seis anos, quando houve queda mais intensa das taxas de desemprego dos homens em praticamente todas as regiões investigadas.

O período pesquisado, entre 1999 e 2006, foi caracterizado tanto pelo declínio quanto pela feminização do desemprego, aponta o Dieese. “Nos primeiros anos desta década, acompanhando a queda das taxas de desemprego, os rendimentos recebidos pela população ocupada metropolitana tiveram trajetória declinante, independentemente do sexo. Este movimento, no entanto, diferente do ocorrido em relação à desocupação, foi mais ameno para as mulheres”, afirma.

Com isso, continua o Dieese, a histórica diferença nos salários de homens e mulheres diminuiu e a proporção dos rendimentos reais auferidos por hora pelas mulheres alcançou, em 2006, o melhor desempenho em Porto Alegre (81,7%) e em Recife (81,8). No Distrito Federal, onde foram registrados os mais elevados patamares das remunerações do trabalho entre as áreas pesquisadas, este percentual ficou limitado a apenas 75,4%.

O estudo conclui que as mulheres das regiões pesquisadas pelo Sistema PED entre 1999 e 2006 continuaram a se destacar pela intensa entrada no mercado de trabalho. Chegando a corresponder a quase metade da PEA metropolitana (46,7%), a força de trabalho feminina contabilizou, no último ano, 8.878.000 mulheres. “Embora tenham presença cada vez mais expressiva no mundo produtivo e venham se deparando com uma conjuntura mais favorável à geração de empregos, as trabalhadoras ainda enfrentam uma nítida desigualdade de oportunidades ocupacionais comparativamente aos homens: O desemprego continua sendo maior para o segmento feminino e seus rendimentos não superam o patamar de 81,8% dos ganhos masculinos”.

Além disso, as mulheres concentram-se em ocupações fundamentais para a organização social que, no entanto, são pouco valorizadas e têm seu padrão de remuneração regulado pelo poder estatal, explica. Tal situação fez com que as mulheres fossem relativamente mais beneficiadas com a política de valorização do salário mínimo, o que, por sua vez, explica a melhor sustentação das remunerações femininas diante do ajuste de renda empreendido no âmbito do mercado de trabalho nos últimos anos.

“Entre as mulheres que recebem as menores remunerações, destaca-se a necessidade de sobrevivência e a escassez de alternativas, denunciadas pelo perfil etário mais elevado, pelas grandes responsabilidades familiares enfrentadas pelas chefes e cônjuges que contribuem com o orçamento doméstico e pelo estigma da baixa escolarização”, finaliza o estudo.