Passe Livre: A importância da Confecom

0

Brasília sedia de 14 a 17 de dezembro a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, evento que reunirá aqui mais de 1.500 delegados de todo País. A realização da Conferência é uma vitória do Governo Lula/PT e da sociedade, que se mobilizou para tornar realidade algo que os ‘donos’ da comunicação no Brasil trataram de boicotar em todos os momentos. Pode-se dizer que até mesmo segmentos do Governo Federal em certos momentos atuaram de forma contraditória, na contra-mão daquilo que se espera de membros de um governo progressista, que tanto fez em termos de inserção social, do resgate de dívidas com grupos étnicos e outras ações pontuais que estão mudando o nosso perfil de Nação. Neste sentido é preciso condenar a postura ‘patronal’ que o ministro Hélio Costa, das Comunicações manteve ao longo da discussão, sempre preocupado em assumir- se porta-voz dos que detêm o monopólio da comunicação e não como alguém comprometido com a democratização da comunicaão.

Mas ela vai acontecer, apesar das ameaças e chantagens daqueles que temem a instauração de uma nova ordem no amplo e monopolizado espectro da comunicação – a começar pela necessidade de repensar os mecanismos de fiscalização dos preceitos legais, evitando a formação de grupos que dominam de modo hegemônico vários veículos e, assim, acabam impedindo a livre circulação de idéias.

É importante destacar que os delegados dos movimentos sociais que estiverem na Confecom terão imensos desafios para conseguir furar o bloqueio patronal, que além de ter paridade na destinação de ‘vagas’ para delegados (ficou definido que os movimentos sociais indicam 40%, os meios de comunicação/patrões outros 40% e o Governo Federal com 20%), ainda contam com adesões importantes de ‘coletivos’ que sob a máscara de compromissos, na verdade representam interesses externos, tendo em vista que recebem recursos até de fundações norte-americanas.

É preciso, acima de tudo, saudar a Conferência e esperar que dela ‘saia’ um novo desenho das relações de comunicação em nosso País, onde as verbas sejam distribuídas na mesma proporção da Conferência; onde as rádios comunitárias saiam da camisa de força que se encontram, que as TVs públicas e comunitárias tenham direito de se viabilizar e fortalecer financeiramente e atuar mesmo em rede e que a difusão da informação deixe de ser privilégio de poucos, para ser do alcance de muitos.

Leia aqui a edição Especial Passe Livre, semana 14 a 17 de dezembro.