Por que os bancários pedem aumento real

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São Paulo – Em 2006, os bancários vão, pelo terceiro ano consecutivo, reivindicar aumento real nos salários. Isso significa dizer que os trabalhadores não querem discutir a reposição da inflação e que o índice de reajuste nos salários e demais verbas deve ser acima da alta dos preços.

Ter aumento real também significa que o bancário ganhará mais poder de compra, já que o seu salário irá subir acima do índice de inflação. No primeiro trimestre de 2006, cerca de 80% das categorias conseguiram aumento real de salários, segundo o Dieese.

Por isso, os trabalhadores do ramo financeiro vão reivindicar neste ano aumento real de 7,05%, mais a inflação do período entre setembro de 2005 e a agosto de 2006. O índice foi aprovado na 8ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, que aconteceu entre os dias 27 e 30 de julho, em São Paulo.

Mas de onde saiu este índice? Esse percentual de 7,05% não é aleatório, mas fruto de um estudo sobre os ganhos dos banqueiros no último ano. Este índice é baseado na evolução real do valor adicionado no PIB, gerado pelo setor bancário. Trata-se portanto, do mesmo percentual em que os bancos ‘contribuíram’ para o crescimento do PIB em 2005.

Histórico – Pela trajetória das campanhas nos últimos 11 anos, os trabalhadores de bancos privados só conseguiram aumento real em seis oportunidades,  sendo duas em 2004 e 2005. Já para quem trabalha em banco público, a história foi pior. Durante os anos FHC, esses trabalhadores nunca conquistaram aumento real, muitas vezes, sequer tiveram aumento.

“Entretanto, os dois últimos anos, os bancários perceberam que a luta unificada nos bancos traz resultados. Em relação ao índice, tivemos aumento real, fato que milhares de bancários do BB e da Caixa não haviam visto. Por isso, nossa estratégia e as nossas greves foram acertadas, e esse ano não será diferente”, lembra o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. 

Trajetória de reajuste da categoria

 

Inflação

Bancos Privados

Banco do Brasil

Caixa Econômica

Ano

INPC (IBGE)

Reajuste %

Abono

Reajuste %

Abono

Reajuste %

Abono

1996

14,28%

10,80%

45% do salário

zero

R$ 1.100 a
R$ 1.600

zero

R$ 1.000

1997

4,30%

5%

 

zero

R$ 1.800 a
R$ 3.000

zero

R$ 4.500

1998

3,59%

1,20% 

R$ 700

zero

R$ 1.000 a
R$ 2.000

1%

R$ 1.000

1999

5,25%

5,50%

 

zero

 

zero

R$ 2.500

2000

6,96%

7,20%

 

1,70%

R$ 2.500

zero

R$ 1.200

2001

7,31%

5,50%

R$ 1.100