Presidente da CUT fala sobre lançamento da Campanha Unificada

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Nesta sexta-feira, dia 18, em frente à sede nacional da CUT, em São Paulo, será

lançada oficialmente a Campanha Unificada dos Trabalhadores.

Nesta sexta-feira, dia 18, em frente à sede nacional da CUT, em São Paulo, será lançada oficialmente a Campanha Unificada dos Trabalhadores, iniciativa da CUT para debater com o governo (das três esferas) e os empresários uma pauta de reivindicações que aponte para o contrato coletivo de trabalho, pratica largamente utilizada na Europa.
 
A Campanha tem como base seis pontos principais: salário, emprego, jornada de trabalho, direitos sindicais, saúde e segurança e políticas públicas. Para o lançamento estão sendo preparados um jornal que será distribuído à população, cartazes e adesivos (praguinhas), além de banners que ficarão expostos nas sedes das CUTs estaduais e dos maiores sindicatos. “Esta é uma primeira leva de materiais para começar a debater com a população a idéia da campanha unificada e explicar que ela não substitui as campanhas salariais das categorias”, explica a secretária de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti.
  
Um tema que interessa aos trabalhadores – O presidente nacional da CUT, Artur Henrique, fala na entrevista a seguir, concedida ao jornalista Isaías Dalle, por que a Campanha Unificada dos Trabalhadores é um assunto que interessa a todos, e como a Central vai agir para transformar as reivindicações em realidade.
  
Artur, a Campanha Unificada dos Trabalhadores tem vários pontos importantes. Você acha que todas essas reivindicações podem ser conquistadas ao mesmo tempo, ou há algumas que podem ser alcançadas mais rapidamente?
  
Todos os pontos são igualmente importantes, e vamos trabalhar muito para conquistá-los. Nosso desafio é colocar o emprego e a valorização do trabalhador como prioridade nas ações de governo, nos próximos anos, e arrancar compromissos das empresas no mesmo sentido. Penso que algumas das propostas estão mais próximas de se tornar realidade, porque dependem de iniciativas do governo e do Congresso Nacional. Um exemplo disso são nossas duas propostas sobre emprego (veja detalhes na página X). Acredito que pode ser um processo mais rápido que o caminho que vamos trilhar para conquistar os outros pontos da pauta. Para chegar aos outros pontos, teremos de lidar com um número bem maior de representantes de forças políticas e econômicas.
  
Isso quer dizer que a Campanha Unificada dos Trabalhadores pode durar bastante tempo.
 
A Campanha não tem prazo de validade. É permanente, vamos trabalhar por ela o tempo que for necessário para alcançarmos as conquistas que todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil precisam e desejam.
  
Quando você fala em todos os trabalhadores do Brasil, significa que essa Campanha não vai beneficiar apenas quem é sindicalizado?
  
Claro. Todo cidadão que vive do seu trabalho vai ser beneficiado se conseguirmos transformar nossas reivindicações em realidade. Mesmo aqueles trabalhadores que infelizmente não têm salário, como é o caso das donas-de-casa. Porque a nossa Campanha Unificada traz propostas econômicas e políticas também, que se relacionam com toda a sociedade. Como exemplo eu posso citar a necessidade de o povo poder interferir na elaboração do orçamento público, pressionando os governos a reservarem mais dinheiro para políticas sociais como educação, saúde, reforma agrária e investimentos em transportes, saneamento e habitação. A CUT e seus sindicatos podem fazer pressão e ajudar para que isso aconteça. Outro exemplo é a criação de uma política que reajuste o salário mínimo todos os anos, independentemente de quem está no poder.
  
Há outras reivindicações na Campanha que não se relacionam diretamente com dinheiro, certo?
  
É verdade. Com o passar dos anos, especialmente durante o período da ditadura militar até os anos FHC, os trabalhadores vêm sofrendo tantas privações que, às vezes, pensamos que só o fato de estar trabalhando já é suficiente. Essa é uma realidade muito triste. Não podemos esquecer que é o trabalhador quem constrói o mundo e suas riquezas. Com essa convicção, nossa Campanha Unificada reivindica melhorias na qualidade de vida no ambiente de trabalho. Queremos a limitação das horas extras, pois o abuso praticado pelas empresas separa as pessoas de suas famílias, de seu lazer, da escola. Pedimos a redução da jornada, que também vai ajudar a gerar novos empregos. A pauta também quer combater o assédio moral, a maneira cruel de alguns patrões tratarem seus trabalhadores. Por fim, queremos controlar o ritmo de trabalho cada vez mais enlouquecido nas linhas de montagem, nos bancos, nas empresas de transporte e outros setores. Quando o trabalhador se transforma numa máquina, como querem muitos patrões, a saúde mental e física é destruída.
  
Por falar em saúde, lazer e escola, é preciso lembrar que pouco vai adiantar melhorar as condições de trabalho e aumentar o tempo livre dos trabalhadores, se a rede pública de serviços não passar por uma profunda transformação para atender melhor as pessoas.
  
Este é um problema terrível, que exige uma mobilização nacional maior até do que aquela que uma grande central como a CUT pode fazer. Mas é verdade que temos o dever de participar desse esforço. Colocamos entre as prioridades da Campanha Unificada a exigência de que todos os governos, do federal até as prefeituras, criem um processo de negociação permanente com os servidores. Uma instância em que os trabalhadores e os governantes vão discutir medidas que melhorem as condições de trabalho e a qualidade do atendimento. Porque um médico, um enfermeiro, um policial, um professor ou um gari só vai poder ajudar a transformar o serviço público se tiver salário digno, material para trabalhar, se os hospitais e as escolas tiverem profissionais em número suficiente para o atendimento.
  
Na prática, como a CUT vai fazer para alcançar estes objetivos todos?
 
Vamos entregar a pauta para os sindicatos de patrões, como por exemplo a Fiesp e a Federação Nacional de Bancos, e vamos negociar ponto a ponto. Vamos fazer o mesmo com o governo federal, todos os governos estaduais e as prefeituras. Ao mesmo tempo, vamos fazer mobilizações de rua, vamos conversar com as pessoas para explicar nossos objetivos e mostrar que esse é um assunto que interessa a todos os trabalhadores. Porque é importante que todo mundo participe. Agora, nos casos extremos em que os patrões ou os governantes não quiserem nem negociar conosco, recorreremos a greves.
   
Fonte: CUT