Bancários de bancos públicos e privados do restante do país votam hoje greve por tempo indeterminado; paralisação segue forte no DF na segunda semana
A greve dos bancários de Brasília entra forte na sua segunda semana e deve ganhar a partir desta quarta-feira o reforço da categoria nas bases sindicais de todo o Brasil, que votam hoje a proposta de paralisação por tempo indeterminado, conforme orientação do Comando Nacional, após a greve de 24 horas do último dia 30 de setembro.
Além da capital federal, permanecem em greve Pernambuco, Salvador, Sergipe, Maranhão, Rio Grande do Norte e Irecê (BA). No Para e Amapá, a paralisação teve início nessa segunda-feira. Em Porto Alegre e Santa Cruz do Sul (RS), o movimento atinge as agências da Caixa.
Assembléia hoje
Brasília também realiza assembléia nesta terça-feira, às 18h, no Setor Bancário Sul (Praça do Cebolão), convocando os bancários dos bancos privados a intensificarem a mobilização e somar forças com o funcionalismo dos bancos públicos, que têm registrado forte adesão ao movimento. Embora os bancários desses bancos sejam maioria no DF, os empregados de bancos privados têm a sua parcela a contribuir.
Rechaçada a irrisória proposta de reajuste oferecida pelos banqueiros, que mal repõe a inflação do período, e deflagrada a greve por tempo indeterminado em Brasília, os bancários têm a responsabilidade de somar forças para o embate com os patrões na luta pelo atendimento de suas reivindicações e para o fechamento de um Acordo Coletivo justo. A Campanha Nacional é unificada, de todos, e a participação de cada um faz toda a diferença.
Quanto maior o número de bancários em greve, de todos os bancos, maior será nosso poder de pressão para arrancar uma contraproposta que contemple o que queremos. Por isso, faça a sua parte, compareça às assembléias e participe das atividades promovidas pelo Sindicato, dentro do cronograma de luta para o movimento grevista.
O Sindicato lembra os bancários que a greve é um direito garantido por lei, e que ninguém pode ser impedido de exercê-lo. Se você estiver sendo vítima de assédio por parte de gestores para não aderir à paralisação, denuncie imediatamente ao Sindicato. O telefone é 3346-9090 (não é preciso se identificar).
Não se deixe intimidar. Recorrer a esse tipo de meca-nismo é prática comum entre os bancos no rol entra ainda o famigerado instrumento jurídico do interdito proibitório, para impedir a aproximação do Sindicato junto aos locais de trabalho e coibir o livre exercício de greve, na tentativa de esvaziá-la.
Proposta insuficiente, greve como resposta
A greve dos bancários é uma resposta ao índice de 7,5% oferecido pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), para os salários, pisos e demais verbas (veja a tabela). Mas não é somente isso.
Uma das principais razões para a revolta dos trabalhadores está na distribuição da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Os bancos insistem num modelo que, este ano, redu-ziria a PLR da maior parte dos bancários. Isso porque o valor adicional que em 2007 chegou a R$ 1.800 está relacionado ao crescimento do lucro que, apesar de continuar aumentando muito, teve variação menor. Assim, de acordo com o balanço do primeiro semestre de 2008, os bancos ou não pagariam valor adicional ou pagariam menos do que no ano passado.
Além do mais, pela oferta feita, o valor do auxílio-creche e do vale-transporte ficaria muito aquém do almejado pelos bancários. O primeiro, se aplicado o índice de 7,5%, passaria de R$ 181,40 para R$ 195,01, bem abaixo do valor do salário míni-mo reivindicado pela categoria. Já no caso do vale-transporte, os trabalhadores também sairiam prejudicados, uma vez que a Fenaban propõe o desconto de 4% não somente sobre o salário-base, mas sobre todas as demais verbas. Não bastasse isso, os banqueiros também querem alterar as regras que regem o período de pré-aposentadoria, dificultando ainda mais o processo.
Por tudo isso é que a luta se faz necessária. Participe. Juntos, somos mais fortes. Não deixe que os outros decidam por você.
Você está satisfeito com esta proposta?
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Cláusula |
Proposta Fenaban |
Reivindicação |
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Índice |
7,5% |
13,23% |
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PLR* |
80% do salário + R$ 943,85 |
três salários + R$ 3.500 |
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Auxílio-refeição |
R$ 15,82 |
R$ 17,50 |
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Cesta-alimentação |
R$ 271,29 |
R$ 415 |
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13ª Cesta-alimentação |
R$ 271,29 |
R$ 415 |
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Auxílio-creche/babá |
R$ 195,01 |
R$ 415 |
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Piso – portaria |
R$ 690,17 |
Aumento progressivo, durante três anos, até atingir o salário mínimo previsto pelo Dieese, atualmente em R$ 2.074 |
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* O teto proposto pela Fenaban é de R$ 6.263,00; a reivindicação dos bancários é que não haja teto nem limitador para o pagamento.


























































































































































