Programação da tarde debate doenças ocupacionais no trabalho bancário

0

A programação da tarde foi aberta com palestra que destacou as abordagens científicas em saúde, enfocando a correlação entre prazer e sofrimento no local de trabalho, as estratégias de mediação individual e coletiva para lidar com as adversidades neste ambiente e os danos físicos e psicossociais relacionados a ele, principalmente na categoria bancária.

Segundo a professora Ana Magnólia, é o tipo de relação que se estabelece entre o indivíduo e seu ambiente de trabalho que dará origem ou não aos efeitos negativos sobre a sua saúde, baseados na angústia, no medo e na insegurança, tripé de sentimentos que caracteriza o sofrimento.

Isso significa que o trabalhador que não vivencia uma dinâmica de prazer na realização das suas funções e que não sabe lidar com as adversidades certamente, a curto, médio ou longo prazo, sentirá as conseqüências do que a psicologia chama de falha dos mecanismos de defesa. “Dentro de uma situação de sofrimento no trabalho, a pessoa que não sabe identificar saídas para os seus problemas e que não sabe enfrentá-los, empurrando-os para debaixo do tapete, certamente vai sofrer com os resultados dessa falha”, frisou Ana Magnólia.

Ela ressaltou, todavia, que o sofrimento é e sempre foi um sentimento inevitável, inerente à condição humana. O que se torna perigoso e merece atenção é a intensidade da experiência do sofrimento – e o trabalhador precisa estar capacitado para enfrentar os diversos tipos de situações estressantes nos locais de trabalho, o principal fato desencadeador das doenças ocupacionais.

Diversas estratégias podem ser mobilizadas e uma delas diz respeito à criação de espaços de discussões constates sobre a natureza do trabalho feito e as condições de trabalho, disse a pesquisadora, que não poupou críticas à política de recursos humanos e de saúde dos bancos, que, segundo constatou ela durante sua pesquisa sobre o tema, ignoram essa possibilidade de discussão.

Estratégias de defesa

Além do debate amplo sobre as condições nos locais de trabalho, Ana Magnólia elencou várias outras estratégias de defesa, que variam entre o esforço individual e o coletivo no local de trabalho a fim de contribuir para um ambiente saudável. Mas alertou para o perigo do caráter de insuficiência que podem ter, causando danos físicos e psicossociais, como no caso em que a pessoa começa a beber desmesuradamente para esquecer os problemas do trabalho a ponto de se tornar dependente.

Danos físicos, psicológicos e sociais estão entre as conseqüências relacionadas a um ambiente de trabalho ríspido. São exemplos desses danos a LER/Dort, o alcoolismo, as fobias e Síndrome do Pânico, a depressão e as doenças psicossomáticas, tais como a gastrite, a hipertensão e a obesidade.

Para Ana Magnólia, todas essas doenças poderiam ser evitadas se os bancos construíssem uma política de valorização da saúde do trabalhador.

Ao final das atividades desta terça, os participantes da oficina também participaram de mesas redondas de discussão respondendo a um questionário que serviu como diagnóstico de prevenção. Logo depois foi aberto debate para discutir as respostas dos bancários.

 A oficina termina nesta quarta-feira e debaterá, entre outros temas, assédio moral, um dos maiores problemas enfrentados pela categoria bancária.