Queima de boneco e atividades diante da Caixa marcam 23º dia de greve

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A marcha fúnebre e a indignação dos bancários da Caixa acompanharam o ato simbólico de queima do boneco que representa o vice-presidente de recursos humanos da Caixa, Edino Valadares, neste 23º dia de greve, em frente o Matriz I.  

A manifestação de protesto ocorreu no início da tarde desta sexta (16) porque a direção da Caixa se recusa a negociar reivindicações dos trabalhadores, deixou a mesa de negociações e ajuizou processo de dissídio. "O ato de queimar o boneco é uma demonstração da revolta sobre as intransigências dos banqueiros que sempre frustram a gente nas negociações", destaca Raimundo Félix, diretor do Sindicato. "Pode até parecer uma brincadeira a queima do boneco, mas não é! A greve é coisa séria; queremos uma resposta decente já", completa Wandeir Severo, diretor do Sindicato.


Aposentados revoltados

A Caixa não valoriza os bancários da ativa nem os aposentados. Os funcionários que recebiam o tíquete-alimentação até 1995 ficaram com o direto adquirido para receber o ressarcimento, mas o banco ofereceu uma indenização com acordo com redutor de 70% do valor.

Durante o ato, a bancária aposentada e diretora do Sindicato, Marlene Dias, desabafou: "O futuro dos bancários que se aposentaram e se aposentarão daqui há alguns anos é incerto. Eu também falo indignada que queremos receber uma quantia justa do tíquete-alimentação relativo ao período até fevereiro de 95".

Manhã de esclarecimento

Na manhã do 23º dia de paralisação, os bancários da Caixa continuaram mobilizados e os comitês de esclarecimento visitaram desde cedo a filial e os prédios Matriz I e II para conversar com os colegas e entregar os informativos contando os rumos das negociações até o momento. "A empresa não deu nada do que pedimos e tudo é perfeitamente razoável de ser cumprido pelos banqueiros. Não reivindicamos nada que vai atrapalhar no ganho dos lucros e nem que trará grandes impactos nas contas da Caixa", ressaltou Wandeir Severo, diretor do Sindicato.

A Caixa apostou no enfraquecimento do movimento com sua enrolação nas negociações específicas, mas o tiro saiu pela culatra. O movimento continua forte e já está na quarta semana de greve. Para abafar o movimento da categoria, os patrões informaram o ajuizamento do dissídio no Tribunal Superior do Trabalho (TST) logo após a assembleia de 15 de outubro decidir pela continuidade de greve. "A Caixa nos desrespeita e recorre para Justiça para resolver uma coisa que é de sua responsabilidade", argumenta Adilson de Souza, diretor do Sindicato.